Rio de Janeiro, 20 de Fevereiro de 2026

Governo vai insistir na criação de secretaria

Líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) disse na quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respeita a decisão dos senadores de não aprovar a medida provisória que criou a secretaria especial de Projetos de Longo Prazo, mas está preocupado em encontrar uma saída para alguns problemas que surgiram com a rejeição. Líder do governo avalia que é hora do governo 'conversar com o PMDB'

Quinta, 27 de Setembro de 2007 às 13:07, por: CdB

Líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) disse na quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respeita a decisão dos senadores de não aprovar a medida provisória que criou a secretaria especial de Projetos de Longo Prazo, mas está preocupado em encontrar uma saída para alguns problemas que surgiram com a rejeição.

- Estamos com uma preocupação especial com o que diz respeito à estruturação da Sudene e da Sudam, porque nesta MP constavam 144 cargos da Sudam e Sudene para estruturação das duas instituições - informou Jucá, depois de se reunir, no Palácio do Planalto, com o presidente Lula e o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, para conversarem sobre o assunto.

A MP 377 rejeitada pelo Senado na noite desta quarta-feira criava além da Secretaria Especial de Projetos de Longo Prazo, que tinha à frente o filósofo Roberto Mangabeira Unger, outros cerca de 650 cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) e funções gratificadas. A responsabilidade pela derrota do governo no Senado é atribuída ao PMDB, que deu o maior número de votos contrários à MP, sem contar a oposição. O próprio relator da matéria senador Valter Pereira (PMDB-RS) recomendou a inadmissibilidade da medida. E o líder do PMDB, Valdir Raupp (RO) votou pela rejeição da MP.

Pela manhã, segundo informou Jucá, representantes do comando do PMDB, entre eles o presidente Michel Temer; a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Congresso, e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, também estiveram no Palácio do Planalto para uma reunião com Mares Guia.

- Nesta reunião, reafirmamos a coalisão, a condição de votar a favor da CPMF, de aprovar as matérias e de procurar, em contato com o líder Raupp e a bancada do Senado, dirimir qualquer questão e encaminhá-la - relatou Jucá.

O senador também afirmou que não há rompimento por parte do PMDB com a coalisão do governo. "Pelo contrário, o PMDB está firme na palavra de seus líderes e do presidente. O que precisamos fazer é ajustar algumas questões", disse.

- A bancada está sentindo que está tendo pouca comunicação com o governo. São algumas questões pontuais que em tese não foram resolvidas, mas esta é uma questão que será encaminhada pelo líder Raupp, que está levantando todas as questões. A gente espera afinar o discurso e construir um entendimento - disse o líder do governo no Senado.

Jucá disse que o governo não se sentiu traído com a rebelião peemedebista. O senador admitiu, no entanto, que a ação do partido foi uma surpresa para o governo.

- Nós não estávamos informados. A gente lamenta que a manifestação tenha sido dessa forma. Temos um governo de coalisão e, portanto, existem caminhos que podem ser tomados no sentido de afinar o discurso, de ampliar a interlocução sem precisar uma demonstração dessa, que, de certa forma, compromete uma série de atividades do governo, com a questão da Sudam e da Sudene. Mas como foi uma manifestação do Senado, cabe ao governo acatar a manifestação e procurar a saída administrativa para contornar o problema - afirmou.

Ao ser indagado se o presidente Lula teria ficado "irritado" com a atitude do PMDB de votar contra a MP 377, o senador Romero Jucá respondeu:

- Não, muito pelo contrário. O presidente está muito tranqüilo e disse que é preciso ter calma, que isso faz parte do jogo democrático e que iria buscar as soluções compatíveis com o caso - diz ele.

Romero Jucá disse que durante a reunião de integrantes do PMDB com o ministro de Relações Institucionais, nesta manhã, o assunto cargos não foi tratado.

- Não é o momento de tratarmos de cargos. A conseqüência desta manifestação da bancada do PMDB não seria tratar de cargos. O governo não entraria nesse tipo de procedimento - afirmou.

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