O governo federal vai reservar R$ 105 bilhões no próximo ano para atingir a meta de superávit primário - dinheiro público que é bloqueado para pagar juros da dívida. Apesar de estar acima dos R$ 91 bilhões previstos para este ano, o ajuste fiscal deve ser um pouco menor em comparação ao Produto Interno Bruto (PIB).
O ajuste deve representar cerca de 3,8% do PIB de 2008, enquanto o ajuste deste ano deve ficar em 3,88% do PIB. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao chegar ao ministério da Fazenda, vindo de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.
Já o Projeto Piloto de Investimentos (PPI) terá o correspondente a 0,45% do PIB. O PPI corresponde à parte do ajuste fiscal que pode ser utilizada em projetos de infra-estrutura, segundo acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Mantega afirma que as projeções estarão no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2008, cujo prazo para ser encaminhado ao Congresso Nacional termina neste domingo.
O governo federal manteve as metas de superávit primário, mesmo após a revisão do PIB. Na prática, ao manter meta, governo reduz na prática ajuste fiscal. Isso porque, com o novo cálculo do PIB, a economia brasileira deve crescer mais do que se imaginava este ano. Assim, a relação entre o superávit primário e o PIB tende a cair. Com a antiga meta de PIB para 2007, o superávit primário seria de 4,5% do PIB. Com o novo cálculo e o PIB revisado, o superávit primário cai para 3,7% do PIB. No ano passado, o ajuste de 117 bilhões não foi capaz de cobrir os gastos com juros.