Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Governo traiu D. Luiz Cappio, afirma dirigente da Pastoral da Terra

O governo traiu o sacrifício, imposto pela greve de fome, do bispo Dom Frei Luiz Flávio Cappio. Quem afirma é o coordenador-geral da CPT, Roberto Malvezzi. (Leia Mais)

Sexta, 07 de Outubro de 2005 às 15:05, por: CdB

O governo traiu o sacrifício, imposto pela greve de fome, do bispo Dom Frei Luiz Flávio Cappio. Este é o entendimento do coordenador-geral nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Roberto Malvezzi. Ele declarou, nesta sexta-feira, que o governo vive "um problema ético", pois o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Jaques Wagner, logo após o encontro com D. Luiz Cappio - que aceitou os termos propostos na carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - afirmou que o cronograma das obras está mantido.

- Esse é um problema ético para o governo. Como vamos confiar no governo se dois minutos depois ele desmente o acordo feito com o bispo - avalia.

Malvezzi declarou, em comunicado, que vendo as declarações de Jaques Wagner e do Ministério da Integração, marcando para novembro o início das obras da Transposição, pensou em D. Luís.

- Pensei na sua greve de fome, na sua boa vontade de negociar com o governo. Pensei na imediata traição do governo - afirmou Malvezzi.

Segundo o dirigente da CPT, o ato extremado de D. Luiz Cappio colocou em evidências as discussões em torno do projeto do governo brasileiro de transpor as águas do rio para Estados localizados na região semi-árida brasileira.

- O gesto dele levantou um problema, ganhou a mídia e gerou debate e discussão - avalia Malvezzi.

Na carta que divulgou quando ainda estava em greve de fome, o bispo explicou os motivos pelos quais ele se opunha ao projeto. Segundo Cappio, a água não será levada para quem mais precisa, sendo que 70% dela servirão para irrigar grandes plantações, produção de camarão e indústrias.

- Além disso, vai encarecer o custo de água disponível e estabelecer a cobrança pela água além do que já pagam - advertiu aos moradores dos Estados que podem vir a ser abastecidos com água do São Francisco.

A mobilização de Cappio recebeu o apoio irrestrito de diversas entidades do movimento social como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Cáritas Brasileira, Fórum Permanente de Defesa do São Francisco, Assembléia dos Povos do Semi-Árido, Conselho Indigenista Missionário, Assembléia Popular: Mutirão por um Novo Brasil, Movimentos dos Atingidos por Barragens e Movimento dos Pequenos Agricultores. Quatro integrantes desta última entidade aderiram à greve de fome junto com o bispo há dois dias.

A traição

Segundo Malvezzi, o ministro Wagner esteve em romarias da Terra e da Água da Bahia com os movimentos, debaixo da ponte de Bom Jesus da Lapa, no leito seco do São Francisco, no ano do apagão, quando era candidato. Na época, de acordo com o coordenador da CPT, "fez o melhor discurso de todos os petistas presentes em defesa do rio e contra a Transposição". Na época, todo sistema Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco (CHESF) estava para entrar em colapso por falta de água.

- Agora (Wagner) se presta a esse papel de negar, três minutos depois, o que negociou durante três horas. Queremos vida e dignidade para todos os nordestinos, desde o Norte de Minas até o Ceará, do Agreste Pernambucano ao Maranhão. Queremos um projeto de Desenvolvimento Sustentável para todo o semi-árido. Foi esse o acordo. O adiamento das obras da transposição - D. Luís cedeu para dialogar - seria para possibilitar o diálogo que nunca houve. O governo já menosprezou seu acordo. Não tenho influência em nada, mas cheguei ao limite. Na há base ética no governo para qualquer diálogo. Lula e PT, nunca mais - protestou Malvezzi.

O governo

A integração do Rio São Francisco com as bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional vai beneficiar 12 milhões de pessoas "sem prejudicar um único brasileiro". A afirmação é do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que se reuniu ontem com a bancada petista na Câmara para falar sobre o projeto. O ministro disse q

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