Rio de Janeiro, 16 de Janeiro de 2026

Governo tenta evitar CPI no Senado e oposição corre para a Câmara

O debate sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a crise no setor aéreo mobiliza deputados e senadores. A oposição acredita que a instalação da CPI é inevitável na Câmara, como disse nesta sexta-feira o senador tucano Arthur Virgílio (AM). (Leia Mais)

Sexta, 13 de Abril de 2007 às 09:55, por: CdB

O debate sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a crise no setor aéreo mobiliza deputados e senadores. A oposição acredita que a instalação da CPI é inevitável na Câmara, como disse nesta sexta-feira o senador tucano Arthur Virgílio (AM). Os deputados aguardam a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para instalação ou não da CPI.

No Senado, a base governista tenta conter a criação de outra CPI sobre o mesmo assunto, porque a oposição conseguiu reunir o número necessário de assinaturas para criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), espera que, caso haja entendimento, as investigações sejam realizadas pela Câmara.

- Queremos evitar a CPI aqui no Senado porque entendemos que hoje não há clima, não há necessidade de ter CPI aqui no Senado - afirmou.

Para ele, as questões relativas ao tráfego aéreo e denúncias contra a Infraero já estão sendo apuradas pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União.

- O que nós queremos é discutir com bom senso, com equilíbrio e mostrar que nós estamos aqui em um ritmo de votações e de questões que são emblemáticas e necessárias de serem aprovadas nesse semestre e uma CPI de certa forma tumultua esse relacionamento - observou.

Entre as matérias de importâncias destacadas pelo senador estão: a reforma política, de segurança pública e medidas contidas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Já o líder do PSDB do Senado, Arthur Virgílio (AM), não descartou a possibilidade de criação de duas CPIs - uma da Câmara e outra no Senado. Ele informou que a oposição já colheu 28 assinaturas, uma a mais que o necessário para o pedido de criação de uma CPI, mas disse que a intenção é chegar a 35 adesões.

- O simples anúncio de uma CPI no Senado já mudou o quadro porque imediatamente eles compreenderam que não podiam barrar a CPI da Câmara. Ou seja, nós mostramos que o governo pode muita coisa, mas não pode tudo. Não pode inclusive impedir Comissões Parlamentares de Inquérito. Entendo que não é um caminho fácil e por outro lado considero irreversível a instalação de uma CPI na Câmara - afirmou.

Para ele, se forem criadas duas CPIs, uma poderá servir de balizamento para outra. O senador acredita ainda que, no Senado, os governistas teriam mais dificuldade de impedir as investigações.

- Aqui não deixaríamos passar nenhum trator por cima - concluiu.

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