O governo se prepara para a criação da CPI dos Correios, mas ainda faz um movimento para convencer aliados a retirar assinaturas de apoio à Comissão.
Para o Planalto, o caso já está sendo investigado pela Polícia Federal, Ministério Público e por uma sindicância interna dos Correios o que tornaria desnecessária a investigação parlamentar.
A CPI seria, por este raciocínio, apenas um palanque eleitoral para a oposição, que tenta atingir o Planalto.
- Há uma nítida impressão de antecipar 2006 pelos partidos de oposição - disse Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo na Câmara dos Deputados.
Ele se reuniu nesta segunda-feira com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PCdoB), e os líderes Paulo Rocha (PT), José Borba (PMDB) e José Múcio (PTB).
- Estamos trabalhando com as bancadas... para retirada de assinaturas. Se não tiver a colaboração dos partidos da base, a CPI não se instala - acrescentou o deputado, que admite que os governistas trabalham com as duas hipóteses.
- Não temos segurança".
O deputado afastou, no entanto, a possibilidade de os aliados incentivarem a falta de quórum na sessão conjunta do Congresso marcada para quarta-feira que deve criar a CPI. É preciso a presença da metade dos senadores e dos deputados para a realização da sessão.
Neste sábado, a direção nacional do PT aprovou resolução que orienta seus parlamentares a não assinarem o pedido de CPI, que obteve as adesões necessárias na semana passada e contou com o endosso de partidos aliados.
A CPI, pedida pela oposição, tem o objetivo de investigar esquema de corrupção nos Correios que envolve o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ).
"Não vamos dar chance de eles nos atingir, de enfraquecer nosso governo", disse Paulo Rocha, referindo-se à oposição.
Apesar da pressão pela retirada de assinaturas, os aliados já escolhem os melhores quadros dos partidos governistas para compor a CPI.
Governo tenta convencer aliados a retirar adesão à CPI
Segunda, 23 de Maio de 2005 às 11:39, por: CdB