O governo tende a prorrogar a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), segundo analistas da indústria automobilística brasileira. Em entrevista a jornalistas, nesta quarta-feira, em Genebra, onde se encontra para o Salão do Automóvel em curso na cidade, o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Alberto Mayer, disse que estudos realizados por setores econômicos das montadoras mostram que a redução do imposto significará, para o governo, em uma renúncia fiscal de cerca de R$ 1,35 bilhão em quatro meses. Este é um custo, segundo o executivo, com um "efeito pequeno" sobre a arrecadação se comparado à possibilidade de aumento do desemprego.
Ainda segundo Mayer, o fim da isenção provocaria a queda imediata nas vendas de veículos em cerca de 25%, o que iria aumentar o risco de desemprego no setor. No momento, a venda de automóveis registrou a terceira alta consecutiva em fevereiro deste ano. Devido à redução de IPI e às promoções das montadoras, o desempenho das vendas em fevereiro superou o mesmo período em 2008. Foram vendidos 191.360 automóveis e comerciais leves no mês de fevereiro, exceto caminhões, ônibus e motos, o que significa alta de 0,14% sobre fevereiro de 2008 (191.089) e de 0,86% sobre janeiro deste ano, com o total de 189.731 veículos vendidos, em resultado ajustado.
Apesar de a expansão ficar abaixo de 1%, o número é simbólico para o setor porque o mês de fevereiro deste ano teve menos dias úteis do que janeiro e do que fevereiro de 2008. O resultado das montadoras foi, ainda, a principal alavanca na melhora do desempenho do Índice de Confiança da Indústria (ICI), que obteve crescimento de 1,3% em fevereiro, ao passar de 75,3 pontos em janeiro para 76,3 pontos no mês passado.