Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

Governo tem atitude dúbia sobre questão agrária, diz MST

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Paulo Rodrigues, disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdou um orçamento que permite o assentamento de apenas 15 mil famílias e mantém uma atitude dúbia em relação à questão agrária. (Leia Mais)

Terça, 05 de Agosto de 2003 às 19:24, por: CdB

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Paulo Rodrigues, disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdou um orçamento que permite o assentamento de apenas 15 mil famílias e mantém uma atitude dúbia em relação à questão agrária.

Ele definiu o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, como representante do patronato e o ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, filiado ao PCdoB, como um legítimo político de esquerda.

A Justiça também foi alvo das críticas de Rodrigues, segundo o qual muitos processos de desapropriação estão parados nos tribunais. Sem apontar nenhum caso concreto, ele disse que, em algumas comarcas do interior, é forte a ligação entre juízes e proprietários de terra: "Há juiz casado com filha de fazendeiro", afirmou.

Já o coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Antonio Canuto, afirmou que na maioria das vezes as decisões do Judiciário são favoráveis à propriedade.

Rodrigues disse, durante seminário promovido no auditório da Procuradoria-Geral da República, que a meta da organização é colocar em acampamentos um milhão de pessoas à margem de estradas em todo o País.

Segundo ele, nos últimos 15 dias o total de famílias nessa situação aumentou de 90 mil para 110 mil. "Não precisaremos pegar em armas para enfrentar o latifúndio. Nós enfrentaremos a tapa", disse João Paulo.

Uma hora e meia após sua participação no seminário, o coordenador do MST tentou explicar suas palavras, alegando apenas ter usado uma "figura de linguagem" e negando a intenção de estimular a violência no campo. Rodrigues e outros líderes de trabalhadores rurais afirmaram que a reforma agrária só ocorrerá se houver apoio da sociedade.

- Por meio de um povo organizado, o presidente Lula vai conseguir fazer as mudanças necessárias - previu Rodrigues, para quem o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está sucateado.

- Temos de juntar os movimentos para mostrar ao governo Lula que, se não tiver dinheiro para a reforma agrária, a situação vai complicar para todos - completou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel José dos Santos.

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