Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Governo retoma venda de LFT

Segunda, 14 de Junho de 2004 às 07:13, por: CdB

As vendas de LFT (indexadas à Selic) foram retomadas há um mês, mas o Tesouro reduziu o prazo de vencimento dos papéis. As vendas de LTN (prefixadas) - interrompidas em maio - serão retomadas nesta quinta-feira.

Mas o resultado do leilão vai depender da definição da nova Selic e do efeito dessa Selic no mercado futuro de juros. De antemão já se sabe, porém, que a LTN não volta ao mercado pagando taxas semelhantes às praticadas no final de abril quando o Tesouro fez a última venda.

De abril até a primeira quinzena de junho, o juro projetado para meados de abril de 2005 (vencimento da LTN mais curta oferecida em leilão) saltou de abaixo de 16% para o intervalo de 17,40% a 18,40% ao ano.

O juro projetado para o início de 2006 (vencimento da LTN mais longa) passou de 16,50% para o intervalo de 18,0% a 19,50% ao ano.

Os novos patamares de juros podem ser altos demais para compensar o alongamento de prazo da dívida prefixada, entende o mercado que não descarta a possibilidade de o Tesouro ser forçado a cortar ainda mais o prazo dos papéis em leilão.

A instabilidade que a desvalorização dos títulos públicos e a reprecificação vêm provocando nas carteiras de fundos de investimentos não devem ser desconsideradas.

E uma das razões é o estímulo - decorrente da depreciação das carteiras - para que administradores de recursos procurem ativos privados que substituam ativos do governo.

Um dos maiores gestores do país mostra a absurda variação de rentabilidade que sacudiu um dos fundos de investimentos mais populares que administra.

Dinheiro no colo

Este fundo de investimentos assegurava retorno equivalente a 107% do CDI (juro interbancário) em dezembro de 2003. E, em janeiro deste ano, pagou quase 116%.

No final de março, o retorno desse fundo estava em cerca de 90% do CDI. Em abril, em 50%. Na primeira quinzena de junho, o retorno voltou a superar 90%.

Os cotistas não bateram em retirada e conservaram seu dinheiro aplicado em dos dos maiores conglomerados financeiros do país porque, em 12 meses, a taxa de retorno permaneceu positiva ou em torno de 103% do juro interbancário.

A falta de alternativa de aplicação financeira para o pequeno e médio investidor doméstico - associada ao elevado risco de investimentos em ativos reais como dólar - garante o financiamento da dívida do governo e até a juros menores.

- Mas isso só vai acontecer se o cenário macroeconômico tornar atraente a compra de títulos mais longos. Caso contrário, o BC será obrigado a rolar a dívida no curtíssimo prazo e administrar a montanha de dinheiro que esta sendo jogada no seu colo - alerta um dos mais influentes banqueiros do país.

Tags:
Edições digital e impressa