Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Governo recua e muda Estatuto do Idoso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o Estatuto do Idoso como dizendo que agora a dignidade na velhice passa a ser um compromisso de toda a sociedade e que é preciso a adesão de todos. Mas o ministro da Saúde, Humberto Costa, discordou do superior hierárquico e fez duras críticas ao artigo que impede os aumentos nas mensalidades dos planos de saúde para os idosos. No final da noite, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, determinou a suspensão da publicação da lei no Diário Oficial, que deverá circular em edição extra nesta quinta-feira, com as alterações previstas. (Leia Mais)

Quarta, 01 de Outubro de 2003 às 19:59, por: CdB

Assessores Casa Civil da Presidência da República informaram, nesta quarta-feira à noite, que a redação final do texto da lei que criou o Estatuto do Idoso terá os ajustes finais na quinta, pela manhã. A lei, retificada, poderá ser republicada em edição extra, na quinta, ou no Diário Oficial de sexta-feira, mas será mantida a data desta quarta, 1º de outubro, quando foi sancionda pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Palácio do Planalto.

- A partir deste Dia Internacional do Idoso de 2003, envelhecer nesse país é mais do que sobreviver, é mais do que resistir, é mais do que ficar olhando a porta à espera da visita que não vem. A partir de hoje a dignidade do idoso passa a ser um compromisso civilizatório do povo brasileiro - afirmou o presidente.

O Estatuto do Idoso, acrescentou Lula, tornou-se uma causa unânime entre as mais diversas correntes políticas do país e passará a proteger os direitos dos 20 milhões de cidadãos da terceira idade no Brasil. "Seus 119 artigos formam um guarda-chuva de garantias legais que a sociedade devia aos seus idosos. A partir de agora, eles terão uma ampla proteção jurídica para usufruir direitos da civilização sem depender de favores, sem amargurar humilhações e sem pedir para existir. Simplesmente viver como deve ser a vida em uma sociedade civilizada: com muita dignidade", afirmou o presidente.

Não é bem isso que pensa o ministro da Saúde, Humberto Costa. Ele criticou o projeto e disse que não foi consultado sobre o artigo no texto que proíbe os planos de saúde de reajustarem as mensalidades de acordo com a idade do segurado.

Sob o argumento de proteção ao idoso contra mensalidades abusivas, o estatuto, aprovado no Congresso, semana passada, afirma que a partir de agora "será vedada a cobrança de valores diferenciados de acordo com a idade". O polêmico parágrafo consta no artigo 15 do capítulo 4. Como a publicação no "Diário Oficial" só ocorrerá amanhã, o governo ainda pode voltar atrás.

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