Rio de Janeiro, 30 de Janeiro de 2026

Governo reconhece pagamento de indenização à família de Lamarca

Quarta, 13 de Junho de 2007 às 18:43, por: CdB

O guerrilheiro Carlos Lamarca, a viúva Maria e os filhos César e Cláudia Pavan Lamarca foram anistiados, por unanimidade, pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, numa sessão especial de julgamento, nesta quarta-feira, em Brasília. Capitão do Exército, Lamarca tornou-se um dos comandantes da organização Vanguarda Popular Revolucionária, que participou da luta armada contra a ditadura militar. Lamarca foi morto por tropas do Exército no interior da Bahia, em 1971.

Pela decisão, além da pensão, a viúva e os dois filhos vão receber uma indenização de R$ 100 mil cada um. A indenização pretende reparar os danos causados pelo exílio político, no período de 1969 a 1979, quando Maria, César e Cláudia foram impedidos de voltar ao país.

A comissão manteve a decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de assegurar a progressão da carreira de Lamarca a coronel.
 
- A única coisa que aconteceu foi a aplicação da legislação que assegura aos militares com mais de 30 anos de carreira que eles possam receber proventos um posto acima daquele posto que eles efetivamente se aposentaram -, afirmou o presidente da comissão, Paulo Abrão.

De acordo com o ministério, é preciso esperar um prazo de 30 dias, caso alguém entre com recurso contra a decisão. Depois, os processos seguem para o setor de finalização da Comissão. Em seguida, o ministro da Justiça, Tarso Genro, assina a portaria.

A filha do guerrilheiro esteve presente à sessão.
 
- É com muito honra que estou presente nesta reunião para resgatar, mais uma vez, a memória do Lamarca e reconhecer que houve excessos e erros -, disse.

Cláudia salientou que seu pai tinha duas opções na sua vida como ser humano.
 
- A primeira era seguir na sua carreira, que com certeza seria de sucesso e a outra seria lutar pelos seus ideais e ele optou em seguir seus ideais -, afirmou.

De acordo com o ministério, a meta é julgar, até 2010, todos os 30 mil processos sobre o assunto. Criada em 2001, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça já julgou cerca de 29 mil processos.

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