Líder do governo na Câmara, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) defendeu nesta terça-feira que as investigações sobre a quadrilha que fraudava licitações para a compra de ambulância, presa na Operação Sanguessuga, sejam feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Para ele é preciso que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorize a Polícia Federal a investigar, já que há parlamentares envolvidos. O deputado disse que a corregedoria não tem instrumentos para investigar o caso.
- É a Polícia Federal, junto com o Ministério Público, que vai dizer os parlamentares sobre os quais existem indícios sólidos e fortes de provas que determinem uma investigação. Este Parlamento não tem estrutura especializada de investigação. A corregedoria faz um certo papel investigativo, mas é obvio que não tem agentes preparados - afirmou.
Depoimentos
Oito pessoas envolvidas no esquema de fraudes em licitações na compra de ambulâncias serão ouvidas amanhã pela Corregedoria da Câmara. A informação é do corregedor geral da Casa, deputado Ciro Nogueira (PP-PI). Entre as pessoas a serem ouvidas estão Darci Vedoin, dono da Planan, empresa apontada como responsável pelas fraudes, e a ex-assessora do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino. Ela estaria envolvida no esquema e teria apresentado lista com nomes de 170 parlamentares supostamente envolvidos.
- Eles vão se deslocar nesta terça-feira (de Mato Grosso) para Brasília e na quarta vão passar o dia depondo - disse Nogueira. Todos os depoentes estão presos em Cuiabá (MT).
A corregedoria ouviu, nesta terça, o delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações, Tardelli Boaventura, de quem Ciro Nogueira espera obter subsídios para que a investigação na Câmara avance. O corregedor afirmou que a lista apresentada por Maria da Penha Lino também pode ser investigada.
- Se for uma lista que tenha indícios contra parlamentares, eles serão ouvidos. Por enquanto é apenas uma lista de uma criminosa que está presa - disse.
No dia 4 deste mês, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sanguessuga, que prendeu 46 pessoas envolvidas em fraudes nas licitações para a compra de ambulâncias em municípios, com verbas de emendas parlamentares. Entre os presos estavam dois ex-deputados e onze assessores parlamentares.