Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Governo quer intermediar conflitos em assentamentos

Para evitar conflitos em assentamentos da reforma agrária, envolvendo grupos de trabalhadores rurais e também proprietários de terra, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) criou no final do mês passado um grupo de trabalho sob coordenação da Ouvidoria Agrária Nacional. (Leia Mais)

Sábado, 17 de Novembro de 2007 às 12:06, por: CdB

Para evitar conflitos em assentamentos da reforma agrária, envolvendo grupos de trabalhadores rurais e também proprietários de terra, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) criou no final do mês passado um grupo de trabalho sob coordenação da Ouvidoria Agrária Nacional.

Em trinta dias, o grupo deve apresentar um plano com medidas para combater a violência no campo em parceria com o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A medida faz parte do Plano Nacional de Combate à Violência no Campo, lançado em 2005.

Segundo a portaria que cria o grupo,  este terá a função de elaborar meios de remanejar famílias “em situações de instabilidade nos assentamento”, direcionar programas ou projetos de assistência, além de "assegurar o desenvolvimento sócio-econômico dos trabalhadores rurais".

Apesar de o documento apontar que os conflitos “geram instabilidade nos assentamentos propiciando situações de animosidade entre os agricultores”, incluindo discriminação, agressões físicas e até homicídios (dois relacionados à conflitos no campo até agosto), a advogada Natascha Valente, integrante do grupo, diz que os dados indicam casos pontuais. Segundo ela, a atuação se dará de forma preventiva.

“Isso [o grupo] é justamente para que não seja uma atuação apenas emergencial e sim para evitar que a violência aconteça”, afirma  a advogada. “Não posso dizer que [a violência] ocorre com freqüência. São casos pontuais”, acrescenta, ao afirmar que os números do MDA indicam queda de conflitos nos últimos anos. “Atribuo isso à forma de lidar com a reforma agrária e a boa relação da ouvidoria com os assentados.”

O número de mortes decorrentes de conflitos agrários oscilou nos últimos 12 anos. De acordo com o ministério, em 1996, atingiu o pico de 54 óbitos. O menor índice foi verificado em 2000, quando ocorreram dez. Nos últimos três anos, a média foi de 15 mortes. Todos são casos de mortes envolvendo a disputa pela posse de terra.

Bruno Maranhão, um dos coordenadores do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) – o segundo em número de ocupações – disse que o grupo deve evitar a atuação de grupos de extermínio e ações violentas de fazendeiros e jagunços contra os trabalhadores rurais. Porém, no caso de conflitos entre assentados, "é uma precupação desnecessária".

“Se aconteceram casos de confronto entre movimentos de assentados foi no passado. Se o grupo [de trabalho] foi criado com este objetivo, isso está muito atrasado”, criticou Maranhão. “Hoje, existe uma tentativa de unificação dos movimentos sociais para ter mais força a luta pela reforma agrária”. O movimento líder em ocupações no país, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), disse que não vai comentar o assunto.

O Plano Nacional de Combate à Violência no Campo do qual o grupo de trabalho faz parte contém 14 ações envolvendo os governos estaduais e federal, além do Judiciário. Entre as medidas, a criação de delegacias especializadas para lidar com as questões fundiárias e a fiscalização dos serviços de segurança particular dentro de fazendas.

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