A subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Carmen de Oliveira, afirmou que o cadastro nacional de adoção de crianças e adolescentes, que deve ser criado pelo governo federal até 2009, deverá coibir adoções motivadas pela emoção. — A sociedade de consumo relaciona as pessoas como se elas fossem uma vitrine — disse Carmen, que se refere ao fato de bebês abandonados nas ruas serem mais rapidamente adotados por gerarem uma comoção.
Segundo ela, não há no País dados sobre número de crianças ou adolescentes para adoção, quanto tempo elas ficam à espera de uma família e nem o número de pessoas que desejam adotar um filho. — O cadastro nacional vem suprir um buraco negro e todas as relações de direito que possam ser decorrentes da inexistência desses dados —.
De acordo com Carmen, "há uma preferência, infelizmente, para adotar bebês". As crianças que já têm uma idade acima de 3 anos, as que têm irmãos, porque dificilmente uma família se dispõe a adotar mais de um filho, ou que têm problemas físicos, acabam ficando mais tempo na fila de espera ou nem conseguem encontrar uma família no Brasil e acabam indo para adoção internacional.
A adoção internacional é prevista pela legislação somente depois de esgotadas as possibilidades locais.
Com o cadastro nacional será possível, segundo Carmen, coibir que pessoas que não estejam na fila de adoção passem na frente de quem está à espera. — Por outro lado, teremos informação nacional. Caso um adotante não encontre alternativas locais, saberá onde tem uma criança ou um adolescente para ser adotado — explicou.