Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Governo protege montadoras; CUT reclama de falta de contrapartidas

Sexta, 16 de Setembro de 2011 às 06:14, por: CdB

Governo protege montadoras; CUT reclama de falta de contrapartidasCarros e caminhões importados vão pagar mais Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até dezembro do ano que vem. Montadora no Brasil que não segue conteúdo nacional mínimo também será sobretaxada. Governo diz que medida ajuda a proteger investimento e empregos. Para a CUT, faltou cobrar compromissos sociais das empresas favorecidas.

Da Redação

BRASÍLIA – Carros e caminhões importados estão mais caros a partir desta sexta-feira (16/09), por causa de um aumento de um imposto federal anunciado na véspera. Também serão sobretaxadas as montadoras instaladas no país que fabricam veículos com menos de 65% de peças brasileiras.

A equipe econômica diz que o objetivo é proteger empresas e empregos brasileiros em meio à crise da economia global. Mas a falta de contrapartidas expressamente definidas preocupa centrais sindicais.

“As pessoas podem continuar comprando carro importado, é um direito do consumidor, mas isso não pode ser feito demitindo trabalhador na outra ponta e aumentando a fila do desemprego”, disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mcerdante.

“A medida do governo é insuficiente porque não contém contrapartidas sociais, como um basta à rotatividade, por exemplo", disse o secretário geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo.

A nova tributação – alta de trinta pontos percentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – valerá até dezembro do ano que vem. Já havia sido sinalizada pelo governo no lançamento do pacote de medidas de apoio à indústria, batizado de Brasil Maior.

Na crise financeira global de 2008/2009, o governo já tinha feito concessões fiscais para as montadoras, e agora repete o gesto. Entende que o peso do segmento automotivo no setor industrial (cerca de 25%) e na economia em geral justifica o apoio.

Além disso, o Brasil é, hoje, o quinto maior mercado de carros do mundo e o sétimo maior produtor. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o “desespero” dos países para, na crise, obter mercados para suas manufaturas, ameaça derrubar a produção no Brasil.

“Isso nós não vamos permitir. Nós queremos ser o quinto maior consumidor, queremos ser o quinto maior produtor, ou quem sabe o quarto maior produtor, de modo a exportar veículos para outros países”, disse.


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