Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Governo pode flexibilizar postura para acabar com greves

O governo sinalizou nesta sexta-feira a possibilidade de flexibilizar sua postura nas negociações com os servidores federais em greve para tentar chegar a um acordo pelo fim da paralisação. "Estamos dispostos a flexibilizar nas demandas que as categorias consideram centrais para se chegar a um acordo, logicamente dentro dos limites orçamentários", afirmou o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça. (Leia Mais)

Sexta, 14 de Maio de 2004 às 13:24, por: CdB

O governo sinalizou nesta sexta-feira a possibilidade de flexibilizar sua postura nas negociações com os servidores federais em greve para tentar chegar a um acordo pelo fim da paralisação.

"Estamos dispostos a flexibilizar nas demandas que as categorias consideram centrais para se chegar a um acordo, logicamente dentro dos limites orçamentários", afirmou o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça.

Segundo dados do Ministério, de um total de 900 mil servidores, estão parados menos de 10 por cento --o número não chegaria a 80 mil funcionários. A Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais (CNESF) contesta o número e avalia que mais de 100 mil trabalhadores estão de braços cruzados.

O governo enfrenta greves de auditores fiscais da Receita Federal, advogados da União, e de servidores do INSS, IBGE, Delegacias Regionais de Trabalho, Incra, Ministério da Saúde e Funasa.

O Planejamento oferece um reajuste salarial diferenciado para as categorias que varia para os ativos de 12,85 até 32,27 por cento, e aos aposentados de 9,50 a 29,38 por cento.

Oficialmente, os servidores rejeitaram a oferta, mas o governo diz que há, nos bastidores, sinais de que os trabalhadores tendem a aceitá-la até o dia 21 de maio, prazo estabelecido para o início do corte dos pontos.

"Se houver uma sinalização de que as negociações estão caminhando de uma maneira positiva, podemos rever essa data. Não é por um, dois dias que vamos fechar a porta do diálogo", afirmou o secretário.

O Ministério do Planejamento já afirmou que as categorias de servidores terão seus salários cortados.

Apesar do governo confiar que até sexta-feira que vem os focos de greve estarão contidos, o diretor da Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), entidade ligada à CNESF, Jorge Ricardo Moreira, descarta qualquer acordo até o prazo. "Estamos num jogo de pôquer, se eles podem tentar blefar, nós também podemos. Se a proposta for retirada por falta de acordo, o ônus recairá sobre o governo e não sobre nós", disse.

Os servidores reivindicam, segundo Moreira, isonomia entre as categorias, paridade salarial entre ativos e aposentados, recomposição salarial (calculada em 127 por cento desde 1995) e incorporação das gratificações.

"Sabemos que é difícil, mas pedimos ao governo que se estabeleça, então, um cronograma para que a recomposição seja garantida."

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