Por: Felipe Prestes, da Sul 21
Publicado em 30/08/2011, 18:16
Última atualização às 18:16
TweetO governo do Estado entrou na tarde desta segunda-feira (29) com embargos de declaração no STF contra a implementação imediata do piso nacional dos professores. O estado quer que o Supremo restabeleça a modulação dos efeitos da lei, com o prazo de um ano e meio que os governos tinham para se adequar à lei que estabeleceu o piso nacional quando ela entrou em vigor, em 2008. Assim, se o STF acolher o recurso do governo, o pagamento do piso deverá ser cumprido no início de 2013.
Ao julgar o mérito da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) proposta por cinco estados, entre eles o Rio Grande do Sul, contra o piso nacional, o STF não só entendeu que a lei era constitucional, como decidiu que o período em que a ação estava em curso deveria ter sido utilizado pelos estados para adaptação à legislação. A publicação da decisão ocorreu na semanada passada.
Segundo o procurador-geral adjunto, Bruno Winkler, os governos não tinham como se adequar enquanto o Supremo não julgava o mérito da Adin, quando também vigia uma liminar que suspendia a lei do piso nacional. “Pairavam dúvidas sobre a aplicação da lei, por isto os estados não tinham como se adequar”, afirmou Winkler.
O procurador explicou que entre as dúvidas estava se o valor estipulado para o piso seria para o vencimento básico ou para a remuneração global. A decisão do STF que considerou que o piso é o vencimento básico causará repercussão maior nas finanças dos estados. “Esperava-se que o Supremo considerasse o total dos vencimentos como o piso”.
Segundo Winkler, nos embargos de declaração o Estado também explicitou sua situação financeira e a impossibilidade. “A repercussão financeira seria muito grande”. Os governos tinham prazo de cinco dias para interpor recurso. Como a decisão foi publicada no último dia 24, o prazo final era nesta segunda-feira (29) e, segundo Winkler, os embargos de declaração eram o único recurso possível. O procurador explicou que este prazo exíguo impediu os governos de fazerem uma ação conjunta, mas afirmou que outros estados podem aderir ao recurso.
Cpers aponta diferença de discursoA presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, afirmou que o discurso do governador Tarso Genro depois de eleito é diferente do que fazia no período eleitoral. “É preciso questionar a diferença do discurso durante a eleição e depois de eleito. Este governo, que dizia que não precisava do Supremo para pagar o piso e que iria retirar sua assinatura da Adin agora entra com embargos declaratórios no STF para não pagar”.
Rejane contrapõe a postura do Estado com a situação dos professores, que cumprem rotineiramente todas as atribuições que lhe cabem por lei. “Já pensou se nós não cumpríssemos os 200 dias letivos estabelecidos por lei? A lei não foi feita apenas para os trabalhadores cumprirem. Os governos também têm que cumprir”.
Fonte: Sul21