Rio de Janeiro, 14 de Janeiro de 2026

Governo não vai negociar com a faca no pescoço, diz ministro

Diante de ameaças de nova paralisação dos controladores de vôo, o governo federal partiu para o confronto e exigiu normalidade nos aeroportos para continuar a negociação com a categoria. Segundo a assessoria de imprensa do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, os controladores assumiram o compromisso de que não vão parar nos próximos dias.(Leia mais)

Terça, 03 de Abril de 2007 às 10:24, por: CdB

Diante de ameaças de nova paralisação dos controladores de vôo, o governo federal partiu para o confronto e exigiu normalidade nos aeroportos para continuar a negociação com a categoria. Segundo a assessoria de imprensa do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, os controladores assumiram o compromisso de que não vão parar nos próximos dias. Pouco antes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, em reunião com o conselho político, de que toda negociação ficará a cargo da Aeronáutica.

- Não vamos fazer negociação debaixo de ameaças. A negociação exige confiança mútua entre as partes. Exigimos normalidade no sistema e não vamos trabalhar com a faca no pescoço - disse o ministro.

Nesta primeira reunião, as reivindicações dos controladores não foram apresentadas. Ainda de acordo com a assessoria, a chamada "anistia" dos controladores que pararam na semana passada não foi assunto da reunião. Após o encontro, porém, o ministro recuou e disse que o governo em nenhum momento falou na palavra "anistia".

Na minuta de negociação divulgada pelo Palácio do Planalto na sexta-feira, o governo disse que "faria revisão de todos os atos disciplinares militares, tais como transferências, afastamentos e outros". O comunicado dizia ainda que não seriam "praticadas punições em decorrência da manifestação do dia 30 (sexta-feira)".

Os controladores deixaram a reunião, que durou pouco mais de 1 hora, sem falar com a imprensa. No encontro, eles entregaram a Paulo Bernardo a lista de reivindicações da categoria. O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, antes da reunião, descartou a paralisação dos aeroportos no feriado de Páscoa.

Na sexta-feira, o governo havia feito um acordo com os controladores depois que eles pararam de trabalhar ao receber ameaça de voz de prisão do comando da Aeronáutica, por volta das 18h de sexta-feira.

Os controladores paralisaram as atividades no Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek, em Brasília, e a ação teve efeito dominó, que culminou no fechamento de todos os aeroportos.
Nesta segunda-feira o procurador do Ministério Público Militar Giovanni Rattacaso protocolou no Comando da Aeronáutica pedido de instalação de Inquérito Policial-Militar (IPM) para apurar a paralisação. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o Ministério Público Militar tem autonomia para pedir a investigação e não cabe ao Executivo interferir em outro poder.

Recuo

O presidente Lula voltou atrás no acordo proposto pelo governo, na sexta-feira, aos controladores de vôo. Em reunião com o conselho político da coalizão, informou que toda negociação ficará a cargo da Aeronáutica e que o comandante da Força, brigadeiro Juniti Saito, vai ajudar a reconstruir a relação com os militares que ficou abalada depois da interferência civil em seus comandados. No entanto, Lula disse que só negociará novamente com os controladores se a situação estiver normalizada.
 

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