Por Redação, com Reuters - de Brasília:
O ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, confirmou nesta segunda-feira que o governo ainda não tem uma definição sobre o tamanho do déficit que deverá ser apresentado para 2015 e disse que a equipe econômica ainda trabalha para chegar a um número.
- Essa questão deve seguir com a equipe econômica, dialogando com o Tribunal de Contas (da União) e também buscando consolidar as expectativas macroeconômicas, expectativas de arrecadação para este ano e para o ano que vem, para que a gente possa definir esse número e apresentá-lo ao país - disse Berzoini em entrevista depois da reunião de coordenação política esta manhã no Palácio do Planalto.
Segundo Berzoini, "essa questão deve seguir com a equipe econômica, dialogando com o Tribunal de Contas (da União)"
- Nós não tratamos disso (na reunião) porque não há ainda definição por parte da equipe econômica que possa ser apresentada à coordenação política do governo. Tratamos disso em outras reuniões da semana passada - disse.
Na semana passada, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou que apenas o déficit com a frustração de arrecadação seria de aproximadamente R$ 50 bilhões. No entanto, ainda na noite de quinta-feira, o Palácio do Planalto divulgou a informação de que o TCU teria sinalizado que não aceitaria o parcelamento das chamadas pedaladas fiscais, e o déficit poderia ser de pelo menos R$ 70 bilhões.
Nesta segunda-feira, durante evento em São Paulo, Wagner afirmou que o tamanho do déficit primário deste ano ainda não está fechando, porque é preciso levar em consideração outras variáveis, como equalização de juros.
O anúncio, previsto inicialmente para sexta-feira, foi mais uma vez adiado.
Equalização de juros
O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou nesta segunda-feira que o tamanho do déficit primário deste ano ainda não está fechado, porque é preciso levar em consideração outras variáveis, como equalização de juros.
A equalização de juros envolve as chamadas "pedaladas fiscais", ou repasses atrasados da União a instituições financeiras para o pagamento de subsídios e benefícios sociais.
Na semana passada, uma fonte informou à Reuters que o governo federal encaminharia ao Congresso Nacional previsão de déficit primário de R$ 70 bilhões, num montante já que inclui o pagamento das pedaladas fiscais, após sinalização que o Tribunal de Contas da União (TCU) não aceitaria o parcelamento das pedaladas. No entanto, o TCU negou que tenha determinado o pagamento à vista.
- O governo está discutindo internamente também a questão das equalizações de juros. Se liquida agora, se faz planejamento de dividir isso em um ano, dois anos, três anos. A depender disso esse número (déficit primário) pode crescer - disse o ministro.
Jaques Wagner repetiu ainda que o governo trabalha com frustração de receitas em 2015 e dependerá do resultado do leilão de hidrelétricas marcado para semana que vem, e que tem potencial para arrecadar R$ 11 bilhões neste ano.
- A depender do resultado desse leilão, as condições podem ser melhores, iguais ao que se falou ou piores - disse.
Sobre as metas fiscais para 2016, o ministro afirmou que o governo primeiro está reavaliando os números para este ano, antes de fechar os dados para o próximo.
- Imediatamente após, talvez até concomitante, a gente mande o orçamento de 2016 - disse o ministro.
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