Nenhum setor é tão beneficiado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) quanto o da construção civil. A afirmação é do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, numa posição privilegiada para falar sobre o programa, carro-chefe do governo federal. Para ele, o PAC é “um negócio espetacular”, mas o governo ainda não soube utilizar sua imagem da melhor forma.
– O impacto do PAC foi espetacular para o nosso setor desde o início, quando as medidas mais urgentes foram tomadas com grande habilidade. Ainda é difícil avaliar exatamente o quão positivo ele foi. Estamos esperando fechar o primeiro trimestre de 2009 para apresentar dados e números mais concretos – disse ele a jornalistas.
Safady usou da mesma ênfase para apontar falhas – não do PAC, mas da forma como o governo utiliza sua imagem.
– O problema é que o governo não o vendeu da forma mais correta. Ele tentou passar a imagem de que quem faz a obra é ele (o governo), o que não é o caso. Se você pegar o orçamento inicial do PAC, de R$ 503 bilhões, só R$ 68 bilhões são do governo. Desde o primeiro momento, a participação do Estado no PAC é de 12% do montante de recursos. Agora, ele noticiou mais R$ 140 bilhões para o progama. Desses, é possível que nem R$ 20 bilhões sejam do governo. É tudo de estatais ou da iniciativa privada – argumentou.
Segundo ele, o grande mérito do PAC foi pouco explorado pelo governo:
– É o papel de estimulador, orientador, animador e coordenador da economia do país. É o de ente que concentra em suas mãos o poder de resolver os problemas e de tirar os gargalos que aparecerem. É o de ser o grande facilitador para que as coisas caminhem, e colocar os agentes de mercado para se movimentar e eliminar as dificuldades. Esta é a imagem que o governo tinha de vender e não vendeu – acrescentou.
Para ele, “muitos jornalistas ficam presos a uma discussão desnecessária, perguntando à ministra Dilma (da Casa Civil) sobre a origem do dinheiro do PAC. Isso é uma besteira. Não tem de se preocupar com dinheiro, porque dinheiro o mercado faz. Claro que o governo, tem de fortalecer o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que financie a indústria privada, priorizando as linhas de financiamento de forma a irrigar o mercado. Este é o papel do governo: usar o Banco Central para normatizar essa irrigação. E cabe à iniciativa privada buscar os recursos”, completou.
Expectativas superadas
A expectativa dos empresários do setor de construção civil não era das melhores quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, em 2003. Desde então muita coisa mudou.
– Este governo nos surpreendeu desde o primeiro momento, porque está sempre aberto ao diálogo, acatando ou não as nossas sugestões – continuou Safady Simão.
Segundo ele, o governo tem acatado a maioria das sugestões apresentadas pela Cbic.
– A conversa dele (presidente Luiz Inácio Lula da Silva) com todas as entidades da sociedade civil organizada é surpreendente e muito positiva. Começou com uma coisa que muita gente critica, que é o Conselhão (o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). Eu considero esse conselho como uma das atitudes mais criativas e inteligentes dele – declarou.
O empresário avaliou essas consultas como “uma maneira inteligente de o presidente pesquisar, olhar, conversar e trocar idéias com a sociedade”, que, segundo Safady, pode apresentar propostas e sugestões para a adoção de medidas pelo governo.
– Claro que isso não significa dizer que eles adotem tudo o que sugerimos. Já tive muitas brigas nessas reuniões. A habitação, por exemplo, é uma briga que já dura seis anos. Mas a gente é ouvido e tudo que apresentamos é levado em consideração”, disse. “O resultado dessas conversas certamente terá influência nas medidas que estão para ser anunciadas, mas ainda não há como prever exatamente como será o resultado final. Em nossa primeira conversa, eles manifestaram interesse em construir 1 milhão de casas para famílias com renda entre dois e cinco salários mínimos – acrescentou.