Rio de Janeiro, 19 de Fevereiro de 2026

Governo não aceita "interferências" na fiscalização do trabalho escravo, diz Lupi

Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 18:38, por: CdB

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou nesta quarta-feira que o governo não vai admitir interferências políticas na autonomia da fiscalização de combate ao trabalho escravo. Lupi questionou o fato de a empresa Pará Pastoril Agrícola (Pagrisa) – flagrada com 1.108 trabalhadores em condições análogas à de escravo em junho – contar com apoio de senadores para se defender enquanto dispõe de recursos legais.

— É muito estranho que diante das mais de 520 ações dos auditores do trabalho apenas essa empresa [Pagrisa] consiga tanto apoio —, destacou Lupi.

— Eles têm os prazos legais para se defender e, simplesmente, estão tentando dar uma conotação política para  uma ação administrativa —, afirmou.

O ministro também defendeu a competência dos grupos de fiscalização que combatem o trabalho escravo no país.

— É um trabalho sério desenvolvido por servidores de carreira que trabalham para o Estado brasileiro sem ingerência política —, afirmou Lupi.

Para ele, as críticas imputadas aos fiscais partem de pessoas que não conhecem a realidade do problema no país.

— É claro que quando você visita a usina de uma empresa se depara com uma realidade bonita. Agora, quem anda uma hora para encontrar o canavial vai ver a realidade do trabalhador —, disse.

Durante audiência pública no Senado nesta tarde, marcada para discutir a paralisação da secretaria responsável pela fiscalização sobre o trabalho escravo, Lupi apresentou 18 volumes de um relatório com fotos e documentos colhidos durante a fiscalização na fazenda Pagrisa, no final de junho. Durante a ação, 1.108 trabalhadores foram libertados em condições análogas à de escravos.

Parlamentares querem discutir com Lupi flagrante de trabalho escravo

A Comissão Temporária Externa do Senado aprovou nesta quarta-feira requerimento para realização de audiências com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e a secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela. Eles deverão prestar esclarecimentos sobre a ação de fiscalização na empresa Pará Pastoril Agrícola (Pagrisa). As reuniões serão públicas e devem começar na próxima terça-feira.

Os irmãos Murilo, Fernão e Marcos Villela Zancaner, proprietários da Pagrisa, também devem ser ouvidos. Assim como o auditor do trabalho e chefe da fiscalização na empresa, Humberto Célio. Cerca de 20 outras pessoas serão convidadas. Entre elas, representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).

A idéia da comissão é ouvir todas as partes envolvidas na fiscalização da fazenda e verificar se a fiscalização cometeu abusos, principalmente ao rescindir o contrato dos funcionários, disse a relatora da comissão, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

— O nosso papel não é condenar o ministério e nem absolver patrão rural —, afirmou, acrescentando que "há indícios de abuso de poder".

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