O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou nesta quarta-feira que o governo não vai admitir interferências políticas na autonomia da fiscalização de combate ao trabalho escravo. Lupi questionou o fato de a empresa Pará Pastoril Agrícola (Pagrisa) – flagrada com 1.108 trabalhadores em condições análogas à de escravo em junho – contar com apoio de senadores para se defender enquanto dispõe de recursos legais.
— É muito estranho que diante das mais de 520 ações dos auditores do trabalho apenas essa empresa [Pagrisa] consiga tanto apoio —, destacou Lupi.
— Eles têm os prazos legais para se defender e, simplesmente, estão tentando dar uma conotação política para uma ação administrativa —, afirmou.
O ministro também defendeu a competência dos grupos de fiscalização que combatem o trabalho escravo no país.
— É um trabalho sério desenvolvido por servidores de carreira que trabalham para o Estado brasileiro sem ingerência política —, afirmou Lupi.
Para ele, as críticas imputadas aos fiscais partem de pessoas que não conhecem a realidade do problema no país.
— É claro que quando você visita a usina de uma empresa se depara com uma realidade bonita. Agora, quem anda uma hora para encontrar o canavial vai ver a realidade do trabalhador —, disse.
Durante audiência pública no Senado nesta tarde, marcada para discutir a paralisação da secretaria responsável pela fiscalização sobre o trabalho escravo, Lupi apresentou 18 volumes de um relatório com fotos e documentos colhidos durante a fiscalização na fazenda Pagrisa, no final de junho. Durante a ação, 1.108 trabalhadores foram libertados em condições análogas à de escravos.
Parlamentares querem discutir com Lupi flagrante de trabalho escravo
A Comissão Temporária Externa do Senado aprovou nesta quarta-feira requerimento para realização de audiências com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e a secretária de Inspeção do Trabalho, Ruth Vilela. Eles deverão prestar esclarecimentos sobre a ação de fiscalização na empresa Pará Pastoril Agrícola (Pagrisa). As reuniões serão públicas e devem começar na próxima terça-feira.
Os irmãos Murilo, Fernão e Marcos Villela Zancaner, proprietários da Pagrisa, também devem ser ouvidos. Assim como o auditor do trabalho e chefe da fiscalização na empresa, Humberto Célio. Cerca de 20 outras pessoas serão convidadas. Entre elas, representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).
A idéia da comissão é ouvir todas as partes envolvidas na fiscalização da fazenda e verificar se a fiscalização cometeu abusos, principalmente ao rescindir o contrato dos funcionários, disse a relatora da comissão, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO).
— O nosso papel não é condenar o ministério e nem absolver patrão rural —, afirmou, acrescentando que "há indícios de abuso de poder".
Governo não aceita "interferências" na fiscalização do trabalho escravo, diz Lupi
Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 18:38, por: CdB