A utilização, pela primeira vez desde a crise de energia de 2001, das usinas térmicas emergenciais no Nordeste poderia custar caro para os consumidores, além de aumentar o consumo de combustíveis na região. Para que o aumento do custo não atinjisse as contas de luz, o governo fez uma "intervenção branca" e mudou as regras de cálculo da cobrança.
Para evitar que os preços dessas térmicas contaminassem todo a região do Nordeste, o governo fez uma espécie de " intervenção branca " no Mercado Atacadista de Energia (MAE), não permitindo que o preço das térmicas emergenciais seja computado no mercado atacadista de curto prazo.
Pela regra anterior do MAE, o preço da energia no atacado equivalia ao da térmica mais cara que estivesse sendo despachada, sem que fosse feita qualquer ponderação entre os preços das usinas e o tipo de combustível para calcular uma média. Os consumidores brasileiros já pagam pela energia das usinas emergenciais mesmo quando elas estão desligadas.
O pagamento é feito na conta de luz, na rubrica "encargo de capacidade emergencial" , apelidado de "seguro apagão" e que foi criado em fevereiro de 2002. Mas quando essas usinas são acionadas por razões elétricas (como agora) o custo aumenta, já que passa a ser cobrado também o combustível.
Com a mudança adotada pelo governo, o preço da energia para a região Nordeste permanece estável, em R$ 58,24, mesmo com 24 termelétricas operando. Nessa resolução, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), presidido pela ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, também estabeleceu o teto de R$ 350 para a energia do MAE.
São 20 usinas emergenciais operando desde o dia 3 de janeiro - 18 movidas a diesel e óleo combustível e duas movidas por bagaço de cana - , o consumo de combustíveis por essas usinas térmicas vai custar aproximadamente R$ 21,7 milhões nos sete dias em que elas têm licença para operar.
Outras quatro térmicas movidas a gás natural também estão em operação, mas a energia delas é bem mais barata, variando de R$ 50,61 o megawatt/hora (MWh) a R$ 126,14, enquanto a energia da térmica emergencial mais cara - da usina Rio Largo, em Alagoas, movida a diesel - sairá por R$ 427,63 o MWh.
Do total que será gasto com combustíveis no Nordeste, R$ 11,2 milhões deverão ser pagos pelo óleo combustível e R$ 10,5 milhões pelo diesel. O Valor apurou que elas estão consumindo diariamente cerca de 2 milhões de litros de óleo combustível e 1,5 milhão de litros de óleo diesel, segundo cálculos feitos por um fornecedor.