Com vitória incerta na votação do salário mínimo no Senado, o governo mobiliza sua cúpula para resolver casos pontuais de aliados.
Descontente com o Planalto, o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) ameaça renunciar ao cargo de vice-líder do governo no Senado e votar contra a medida provisória do salário mínimo.
Para contornar o caso, um almoço realiza-se nesta quarta-feira na casa de Suassuna reunindo o líder do governo Aloizio Mercadante (PT-SP), o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e outros senadores do PMDB, como José Maranhão (PB) e Ramez Tebet (MS), que também teriam queixas contra o governo, informou um assessor de um dos presentes.
Suassuna está descontente com a distribuição de cargos na Paraíba no recém-criado Instituto Nacional do Semi-Árido, que foram indicados por seu adversário político, o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB).
Com 22 integrantes, a bancada do PMDB é a maior do Senado.
Apesar das ameaças dos peemedebistas, a oposição não está segura da migração desses votos. A cúpula do PFL acredita que o governo vai contornar a questão facilmente. Mas, segundo o PFL, a vitória do governo é tão frágil que qualquer voto faz diferença no resultado.
Ainda nesta quarta-feira, o ministro Aldo Rebelo receberá os senadores aliados no Palácio do Planalto, em encontro que pode contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda não confirmada.
O Ministério da Fazenda também prometeu para esta tarde uma resposta sobre a política de recomposição do mínimo, como querem os senadores aliados.
Em reunião da bancada, o PFL fechou questão contra o mínimo de 260 reais. Segundo o líder do partido, senador José Agripino (RN), 46 dos 81 senadores votarão contra o mínimo de 260 reais. Mas uma fonte informou que durante a reunião foram considerados 42 votos contra.