Anúncio de trégua feito pela organização nacionalista basca foi feito segunda-feira (10)
11/01/2011
da Redação
O governo espanhol se mostrou cético em relação ao cessar-fogo anunciado nesta segunda-feira (10) pela organização ETA (Euskadi Ta Askatasuna) -- que significa Pátria Basca e Liberdade. O vice-presidente espanhol e ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, disse que o anúncio “é uma boa notícia, mas não é a notícia". Para ele, a ETA mantém “a mesma arrogância” e “quer manter a sua posição”.
A organização nacionalista basca anunciou um cessar-fogo “permanente e geral” que pode ser verificado pela comunidade internacional. O anúncio foi feito através da leitura de um comunicado em um vídeo publicado pelo site do jornal basco Gara.
O vice-presidente espanhol afirmou que o único comunicado que o governo espera da ETA “é a declaração de um fim irreversível e definitivo da luta armada”.
No comunicado, a ETA, por sua vez, assume o “compromisso firme com um processo de solução definitiva e com o final da confrontação armada”. E defende que a solução para as cinco décadas de luta aberta pela independência do País Basco passa por “um processo democrático que tenha a vontade do povo basco como máxima referência e o diálogo e a negociação como instrumentos”.
De acordo com a organização, este processo democrático “deve resolver as chaves da territorialidade e o direito à autodeterminação, que são o núcleo do conflito político”.
Solução
Para o ministro do Interior espanhol, ainda não estamos diante do fim do conflito. “Se me perguntam se este comunicado é o que espera a sociedade, diria rotundamente que não”, disse Rubalcaba, para quem “ou a ETA abandona a violência, e abandona-a de forma irreversível, ou o Batasuna ( braço político do grupo) rejeita a violência da ETA, e tão-pouco isto aconteceu”.
Segundo o comunicado da ETA, “todas as partes devem comprometer-se a respeitar os acordos alcançados e as decisões adotadas pela população basca, estabelecendo as garantias e mecanismos necessários para a sua implementação”.
A ETA nasceu no dia 31 de julho de 1959 na cidade de Bilbao. Desde sua fundação, o grupo exige que Espanha e França reconheçam a independência do País Basco.
O último atentado com mortes da ETA ocorreu em 9 de agosto de 2010. Há cerca de quatro meses a organização já havia se comprometido em trabalhar pela democracia. A última ação promovida pelo grupo foi uma manifestação a favor dos direitos dos integrantes presos, realizada neste fim de semana.