Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Governo líbio diz negociar;rebeldes insistem em saída de Gaddafi

Segunda, 04 de Julho de 2011 às 12:34, por: CdB

Governo líbio diz negociar;rebeldes insistem em saída de Gaddafi

Por Lamine Chikhi

TRÍPOLI (Reuters) - O governo líbio disse na segunda-feira que está negociando com membros da oposição, mas aparentemente há poucas chances de um fim imediato do conflito, já que ambas as partes se mostram irredutíveis acerca do destino do líder Muammar Gaddafi.

Em tom combativo, Saif al Islam, filho de Gaddafi, disse ao jornal francês Le Monde que a renúncia do seu pai, no poder há 42 anos, não está em negociação. Já os rebeldes recuaram de uma sugestão conciliadora anterior, e insistiram para que ele deixe o governo imediatamente.

Um porta-voz do regime disse que autoridades de alto escalão participaram de reuniões com membros da oposição na Itália, no Egito e na Noruega, e que esse processo continua.

Segundo essa fonte, um dos representantes da oposição nesses encontros é Abdel Fattah Younes al Abidi, que foi ministro da Segurança e rompeu em fevereiro com Gaddafi. Não está claro se o diálogo teve o conhecimento ou aval do Conselho Nacional de Transição, que reúne lideranças rebeldes. Muitos dos adversários de Gaddafi veem com desconfiança os seus companheiros que romperam com o regime para aderir à rebelião.

Na entrevista ao Le Monde, Saif al Islam disse que a renúncia do seu pai - exigida não só pelos rebeldes, mas também por vários governos ocidentais - "não é parte das negociações". "Você acha que é possível achar uma solução que não o envolva? Não, é impossível", afirmou.

Ele acrescentou que a Otan, ao realizar bombardeios contra as forças de Gaddafi para ajudar os rebeles, optou pelo lado derrotado. "Deus está conosco. Vamos lutar e vamos vencer. Temos nosso Exército, temos mais munições, mais armas. O moral está alto. Os outros estão ficando cada vez mais fracos."



No domingo, em entrevista à Reuters, o dirigente rebelde Mustafa Abdel Jalil sugeriu que Gaddafi poderia continuar vivendo na Líbia, "sob supervisão internacional", caso aceitasse deixar o poder.

Na segunda-feira, porém, o Conselho Nacional de Transição emitiu nota em que Abdel Jalil declara: "Eu gostaria de confirmar que não há absolutamente nenhuma possibilidade corrente ou futura de que Gaddafi permaneça na Líbia (...). Não há cláusula de escape para Gaddafi - ele deve ser retirado do poder e enfrentar a Justiça".

Reuters

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