Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026

Governo lança medidas de incentivo às cooperativas

Sexta, 04 de Julho de 2003 às 13:03, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o dia internacional do cooperativismo para lançar nesta sexta-feira algumas medidas de incentivo às cooperativas no país e para reafirmar a importância delas no processo de crescimento com distribuição de renda. - Queremos que o bolo cresça já sendo repartido, longe da aritmética da exclusão que reserva fatias generosas a poucos e a raspa da assadeira para a maioria - disse o presidente na abertura da cerimônia no Palácio do Planalto. Nesta semana, o Banco Central reduziu mais a expectativa de crescimento para o país, de 2,2% para uma faixa entre 1,5% a 1,8%. Depois de dizer na semana passada que os brasileiros iriam assistir a um "espetáculo de crescimento" a partir do mês de julho, Lula classificou o cooperativismo - doutrina que atribui às cooperativas papel primordial - como uma importante alavanca para alcançar esse crescimento. - Fortalecer a estrutura do cooperativismo (...) significa dizer que o modelo econômico que perseguimos visa, além do bom desempenho dos indicadores convencionais, recolocar o país na rota do crescimento - disse o presidente. O presidente criticou as decisões dos governos passados ao dizer que a "a distância existente entre a economia e a sociedade nada mais é do que a escolha errada da forma que tem condicionado o desenvolvimento brasileiro nos últimos anos". Medidas de incentivo Como medidas de estímulo ao cooperativismo, o presidente encaminhou ao Congresso um projeto de lei que libera a criação de cooperativas por funcionários públicos - proibida desde 1999 pelo Banco Central -, prometeu a agilização de programas de apoio às exportações e a criação de um fundo com recursos mais baratos para as cooperativos por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Além disso, 10 ministérios irão participar de um grupo de trabalho que vai propor alterações na lei de cooperativas, que data de 1971, para "desobstruir os gargalos econômicos que ainda dificultam a expansão do cooperativismo entre nós". De acordo com o ministro da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento, Roberto Rodrigues, 40% de toda a população mundial, cerca de 2,4 bilhões de pessoas, estão associadas direta ou indiretamente a cooperativas, mas no Brasil, apenas 8 por cento da população pertence a alguma associação deste tipo. O presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Marcio Lopes de Freitas, disse que o setor está satisfeito com o governo, mas tem uma extensa lista de reivindicações. A principal delas é o fim da bitributação das cooperativas. - Queremos que as cooperativas não sejam tributadas como as empresas mercantis. A cooperativa deve ser entendida como uma extensão da pessoa física, que já paga impostos. Quando uma pessoa faz parte de uma cooperativa não deve ser cobrada de novo - disse Freitas. Ele acredita que, com os incentivos do governo, o setor poderá crescer entre 8% e 10% este ano.

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