NOVA YORK E ROMA, 13 SET (ANSA) - O governo italiano informou hoje que conversou com uma delegação chinesa na semana passada sobre investimentos na Itália, principalmente no setor industrial, e negou que tenha negociações sobre venda de títulos da dívida soberana do país.
"Não houve nenhuma operação especial com a China para a compra de bônus, tivemos simplesmente reuniões institucionais, previstas há tempos para analisar possíveis investimentos na Itália, em particular no setor industrial", explicou o vice-ministro de Economia, Antonio Gentile.
A delegação de cerca de 20 pessoas, incluindo o embaixador chinês na Itália, Ding Wei, teve uma reunião com o ministro da pasta, Giulio Tremonti, da Infraestrutura e Transporte, entre outros.
A imprensa norte-americana tem levantado a possibilidade da China resgatar as economias europeias em crise por meio de compras de títulos das dívidas soberanas. Ontem, o Financial Times registrou uma "calma" nos mercados após rumores de que chineses poderiam comprar títulos italianos.
Hoje, porém, o Wall Street Journal observou que é improvável que a China "movimente as próprias reservas" para ajudar uma economia "da dimensão da italiana", que "precisa captar 111,3 milhões de euros em financiamentos entre setembro e o fim do ano" para garantir o pagamento dos débitos.
Atualmente a China tem capacidade de adquirir débitos italianos, mas na o suficiente para ajudar suas contas públicas.
Para o Financial Times, uma possível compra "não pode ser vista como um voto de confiança de Pequim ao 'belo país'", mas como uma decorrência da expansão do fundo soberano China Investment Corporation (CIC), que recentemente "adquiriu títulos de grandes empresas norte-americanas, ações de mercados emergentes, commodities e infraestrutura".
A Itália captou nesta terça-feira 3,865 bilhões de euros (5,256 bilhões de dólares) em uma emissão de títulos com vencimento para daqui cinco anos, em uma operação com taxa de juros a 5,60%.
A possibilidade do país não poder cumprir com o pagamento de seus débitos relacionados à dívida fez também com que o governo de Silvio Berlusconi aprovasse um pacote de austeridade para cortar gastos e aumentar a arrecadação tributária.
Segundo o premier italiano, "amanhã o Parlamento aprovará com o voto de confiança uma manobra de 54 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão), com uma correção maior do que aquela indicada no programa de estabilidade aprovado em junho e com saldos corrigidos na passagem pelo Parlamento".
O presidente da União Europeia, Herman Von Rumpuy, parabenizou-o "pelo pacote ambicioso que tem o objetivo de chegar ao equilíbrio em 2013". "A sua aplicação de modo completo é crucial", atestou, comemorando especificamente a modificação constitucional que insere "a regra de ouro do balanço do orçamento". (ANSA)
GOVERNO ITALIANO NEGA NEGOCIAÇÃO COM CHINESES SOBRE TÍTULOS DA DÍVIDA
Terça, 13 de Setembro de 2011 às 12:25, por: CdB