A presidente da Indonésia, Megawati Sukarnoputri, ordenou o lançamento de uma dura ofensiva militar na separatista província de Aceh, norte da ilha de Sumatra, para acabar com a resistência separatista, informaram fontes oficiais. O ministro da Segurança da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, afirmou que a decisão da chefe de Estado aconteceu depois de uma reunião com seu Gabinete para avaliar o estado das negociações entre Jacarta e o Movimento para a Libertação de Aceh (GAM, em inglês). Na semana passada, o Governo enviou novas tropas à província, situada a cerca de 1,8 quilômetro a noroeste de Jacarta, embora ainda não se tenha determinado a data em que serão inciadas as operações militares. A ação do Exército em Aceh, onde morreram mais de 10 mil pessoas desde o início da luta independentista, em 1979, incluirá operações humanitárias e de respeito à lei, detalhou Yudhoyono. O GAM, que luta há 26 anos pela independência da província, anunciou na sexta-feira passada que estava disposto a participar de novas conversas de paz com o Governo, mas não no prazo de 14 dias imposto por Jacarta. Por sua vez, Megawati insistiu durante a reunião com seus ministros que as negociações só serão retomadas se a guerrilha renunciar à independência e aceitar uma autonomia especial para Aceh. Além disso, a Indonésia pedirá à Suécia que tome medidas contra o líder do GAM, Hassan Tiro, que reside no país escandinavo com nacionalidade sueca, e dirige dali o governo no exílio. - Tiro dirige o GAM desde a Suécia e cometeu rebelião, o que provocou a morte de civis, incluindo mulheres e crianças - afirmou o ministro da Segurança, considerando que seu país não pedirá a extradição do líder rebelde. Os analistas, no entanto, acham que o Governo sueco não tomará nenhuma ação contra Tiro a menos que este viole as leis do país. Enquanto isso, fontes militares em Banda Aceh, a capital da conflituosa província, informaram que três supostos rebeldes morreram na segunda-feira em diferentes conflitos com as forças de segurança. O Governo e separatistas assinaram um acordo de paz em dezembro, mas este não foi respeitado por nenhuma das partes, e dezenas de pessoas morreram na província desde então.
Governo indonésio aprova ofensiva contra separatistas
Terça, 06 de Maio de 2003 às 05:54, por: CdB