Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026

Governo gaúcho fere a Democracia

Por Frei Pilato Pereira - Com a pretensão de prejudicar a Ministra Dilma Rousseff no seu depoimento para a Comissão de Infra-Estrutura do Senado, no dia 7 de maio, o senador Agripino Maia do DEM (antigo PFL) – um dos herdeiros da ditadura militar e, certamente, com saudades - fez uma infeliz referência ao tempo em que neste país a tortura prevalecia sob o diálogo. (Leia Mais)

Sábado, 10 de Maio de 2008 às 10:20, por: CdB

Com a pretensão de prejudicar a Ministra Dilma Rousseff no seu depoimento para a Comissão de Infra-Estrutura do Senado, no dia 7 de maio, o senador Agripino Maia do DEM (antigo PFL) – um dos herdeiros da ditadura militar e, certamente, com saudades - fez uma infeliz referência ao tempo em que neste país a tortura prevalecia sob o diálogo. Era um tempo em que a verdade tinha que ser escondida a sete chaves para preservar a vida e a esperança de muita gente.

O senador deve ter se arrependido por deixar escapar de sua língua o veneno que herdou da ditadura. Pois, assim deu chance para Dilma dizer algumas verdades que a Democracia como um regime político de diálogo permite que sejam ditas. Aliás, somente o diálogo dá espaço para a verdade. E com certeza Dilma Rousseff deve se orgulhar muito de ter mentido para a ditadura e não ter entregado suas verdades para poder preservar vidas humanas. Porque a ditadura era um regime que se alimentava sacrificando a verdade e ceifando vidas que traziam os sonhos de uma nação que queria ser livre e justa. Benditos todos e todas que, ao longo do regime militar, guardaram a verdade, como quem "combateu o bom combate e guardou a fé".

Como testemunhamos no caso do senador lá em Brasília, também sabemos que em todo o Brasil, no seio da Democracia há quem ainda alimente as perversas intenções da ditadura. Ainda vivemos resquícios do regime ditatorial vivido no Brasil de 1964 até a década de 80. Agentes e mentores daquele arcaico regime continuam vivamente em ação e tentam ferir de morte a nossa, ainda frágil, Democracia. Temos em nosso país lideranças políticas que não apenas cultuam saudades, como praticam a política nas mesmas linhas da ditadura militar. É o caso do governo da Yeda Crusius, do PSDB, no Rio Grande do Sul.

Um dia depois do episódio citado acima, ocorreu outro fato marcante no município de São Gabriel, no Pampa gaúcho, onde está localizada a Fazenda Southall, um latifúndio improdutivo e devedor para o Estado, cuja desapropriação para fins de Reforma Agrária é reivindicada pelo MST. E como o governo tem sido lento demais no processo de Reforma Agrária, o Movimento dos Sem Terra procura fazer pressão política. E de uma forma democrática e cidadã vem insistindo para que o latifúndio se torne uma área produtiva, gerando emprego, renda e garantia de vida e progresso na empobrecida região sul do Estado gaúcho. Porém, a resistência das oligarquias ruralistas também é bastante grande e tem o total apoio do Estado que segue uma linha política de dar inveja aos antigos governos da ditadura militar.

No amanhecer do dia 8 de maio, antes do nascer do sol, enquanto as famílias Sem Terra, acampadas numa área próxima a Fazenda Southall, se refugiavam do frio embaixo de seus barracos de lona, inesperadamente foram cercadas por um bando de quase 800 policiais fortemente armados. Os soldados da Brigada Militar chegaram marchando ao local do acampamento e cercaram a área onde estão acampados em torno 800 pessoas. Ao redor dos Sem Terra, indefesos velhos, crianças, jovens, mulheres e homens, estava montado um dos maiores aparatos já utilizados pela Brigada Militar, com helicóptero, computadores portáteis conectados via satélite, ônibus, viaturas e cães farejadores e tudo o que se possa imaginar de última geração em equipamento militar.

Todos os acampados foram revistados em fila indiana, como se vê nos filmes e documentários sobre refugiados de guerra e campos de concentração. Um por um foi revistado, identificado e tirado impressões digitais e tudo feito em conexão com o banco de dados do sistema da Secretaria de Segurança do Estado, como se ali pudesse estar escondido algum tremendo criminoso. Foi uma atitude desumana e perversa comandada pelo governo da Yeda Crusius, do PSDB, que objetiva criminalizar a organização dos Sem Terra.

Como se constata nas declarações do coronel Paulo Roberto Mendes, subcomandante da Brigada Militar, dizendo que

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