A aprovação do projeto de lei que corrige a tabela progressiva do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em 17,5% deixou o governo atordoado. Hoje, o secretário-geral da Presidência, Arthur Virgílio, disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso poderá vetar o texto, editando em seu lugar uma Medida Provisória contendo algum alívio na carga tributária para os contribuintes. "A MP ainda não está desenhada", afirmou. A decisão de vetar, explicou Virgílio, dependerá de uma análise sobre o impacto da correção sobre as contas públicas em 2002. "A gente compreende que uma bondade de curto prazo às vezes é uma grande maldade de longo prazo", disse. O líder do governo no Senado, Arthur da Távola (PSDB-RJ), confessou a colegas parlamentares que o Executivo não sabia bem o que fazer para contornar a situação. Na verdade, o governo não contava com uma derrota tão fragorosa, por unanimidade, e alimentava a ilusão de vencer a questão no voto. Em conversa com parlamentares, Arthur Virgílio queixou-se de traição. "Eles estão se sentindo um pouco como o Fernando Collor, que contava barrar o processo de impeachment com 20 votos de diferença, mas os votos viraram na hora", comentou um parlamentar. Era evidente o mal-estar na Esplanada dos Ministérios. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, não escondeu sua irritação quando foi solicitado a comentar a correção da tabela. "Estamos aqui para tratar de outros assuntos", disse. Ele e o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, estiveram nesta quinta-feira no Palácio do Planalto para anunciar um novo sistema de cobrança de contribuições federais sobre o setor automobilístico. Também Everardo recusou-se a comentar o assunto. "Todo o processo foi muito mal conduzido", criticou um assessor da área econômica. "Houve problemas de coordenação, erros de estratégia e traição." Os assessores da área política, por sua vez, criticam a área econômica de demorar a formular uma proposta que tivesse chances de ser negociada com sucesso no Congresso. O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), disse hoje que o Congresso continuará mantendo conversações com o governo sobre o assunto, mas deu a entender que são poucas as chances de evitar a correção. "O governo negociou as alternativas que achou melhores, mas o Congresso não aceitou", lembrou. Questionado sobre a possibilidade de veto, ele afirmou: "o veto para mim não é importante; estou fazendo a minha parte." Para o presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MT) é pouco provável que Fernando Henrique vete a correção. "O governo terá sensibilidade de evitar um veto", disse. Da mesma forma, ele não acredita no envio de uma MP para substituir a correção de 17,5%. "É minha convicção, não acredito que o governo enviará uma MP", disse.
Governo ficou atordoado com votação do Imposto de Renda
A aprovação do projeto de lei que corrige a tabela progressiva do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em 17,5% deixou o governo atordoado. Hoje, o secretário-geral da Presidência, Arthur Virgílio, disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso poderá vetar o texto, editando em seu lugar uma Medida Provisória contendo algum alívio na carga tributária para os contribuintes. "A MP ainda não está desenhada", afirmou.
Quinta, 13 de Dezembro de 2001 às 18:20, por: CdB