O resultado do governo central apresentou forte deterioração em junho, com déficit primário de R$ 643,8 milhões frente a um superávit de R$ 7,92 bilhões um ano atrás. Os dados, divulgados nesta terça-feira pelo Tesouro Nacional, mostraram também que o superávit primário acumulado no primeiro semestre caiu para R$ 18,563 bilhões, o equivalente a 1,28% do Produto Interno Bruto (PIB).
Em igual período do ano passado, o saldo positivo era de R$ 61,378 bilhões de reais, ou 4,40% do PIB. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, estimou que o desempenho das contas públicas será melhor na segunda metade do ano com uma recuperação das receitas, mas admitiu que pode "haver outros meses negativos". Os gastos com custeio aumentaram 18,4% no primeiro semestre, descontado o crescimento nominal do PIB e Augustin espera que essa taxa seja menor no segundo semestre.
– A minha expectativa é que o número no final do exercício não seja tão alto – disse a jornalistas.
Ele também destacou que houve dois gastos que pesaram no primeiro semestre e não vão se repetir: o pagamento de R$ 1 bilhão do Fundo de Participação dos Municípios referente ao exercicio do ano passado e um auxílio financeiro relativo a Lei Kandir no valor à vista de R$ 1,950 bilhão. Questionado se a piora do resultado primário estaria impactando a curva futura de juros, Augustin negou:
– Não acho que tenha impacto negativo no mercado em termos de juros... Anunciamos um resultado (primário) menor em 2009 e não houve nenhum impacto disso na curva de juros.
Diante da crise financeira global, o governo reduziu a meta de superávit primário do setor público consolidado para 2,5% do PIB este ano.