Após uma reunião da cúpula de segurança militar, no Palácio do Planalto, na madrugada desta terça-feira, o presidente em exercício, vice José de Alencar, anunciou o envio de tropas federais para reforçar a segurança na região de Anapu, no Pará, onde foi morta a missionária americana Dorothy Stang.
"Reunido na noite desta terça-feira com os ministros da Casa Civil, da Justiça, da Comunicação de governo, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, e com o comandante do Exército, o Presidente da República em exercício, José Alencar, decidiu, ao lado das autoridades do Estado do Pará, mobilizar tropas do Exército para garantir a ordem pública e o Estado de Direito naquela unidade da Federação", diz a nota.
Segundo o Planalto, serão enviados dois mil homens do Exército que já estão se preparando para ir a região. Após reunião ministerial, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou que o governo federal não vai enviar força-tarefa ao Pará, mas ajudar na articulação das investigações e dar continuidade às ações de combate à grilagem de terra na região, desmatamento, exploração ilegal de madeira e às ações de regularização fundiária.
Nem a repercussão internacional da morte da freira americana amedrontou os bandidos da região. Nesta terça-feira, mais três lavradores envolvidos em questão de terras foram mortos por pistoleiros. Nos últimos três dias, o Pará tem vivido momentos de tensão. O Ministério Público federal no Pará confirmou que o clima em Anapu, cidade onde ocorreram três mortes, inclusive a da irmã Dorothy Stang, é de medo porque existem rumores de que os assassinatos vão continuar.
No encontro entre o ministro e o governador do Pará, Thomaz Bastos disse ainda que pode haver elementos para a federalização da investigação. Esse é o pedido que já foi feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Para o coordenador estadual da Comissão Pastoral da Terra, Jax Pinto, os crimes ligados à terra no Pará só vão parar quando o governo "atuar rigorosamente na região", principalmente nas fronteiras.
O ministro Thomaz Bastos disse que o governo vai atuar duramente nos casos do Pará.
- O trabalho está sendo feito e continuará a ser feito de uma maneira que não seja admitida a possibilidade do Estado brasileiro ser afrontado ou desafiado - enfatizou.
O Procurador Geral da República, Felício Pontes Júnior, esteve reunido esta tarde com lideranças de movimentos sindicais em Anapu e decidiu continuar na cidade acompanhando as investigações da polícia para encontrar os assassinos da irmã Dorothy.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu encurtar a viagem que está fazendo por Venezuela, Guiana e Suriname. O presidente chegaria nesta quarta-feira por volta da meia-noite ao Brasil, mas antecipou sua chegada para as 15h para acompanhar mais de perto as investigações da morte da missionária Dorothy Stang.
- Conversei com o nosso vice-presidente. Está tudo mais ou menos encaminhado. Não há nada excepcional que se possa fazer, mas quero voltar para dar mais seguranca às pessoas que vão ter de tomar algumas decisões. Por isso decidi antecipar minha volta ao Brasil - explicou Lula.
Logo depois de sua chegada, Lula deve participar de reunião com o vice-presidente, José Alencar, e demais ministros envolvidos na força-tarefa que acompanha as investigações no Pará para discutir as propostas apresentadas na reunião desta terça-feira.
Governo envia 2 mil soldados do Exército ao Pará
Após uma reunião da cúpula de segurança militar, no Palácio do Planalto, na madrugada desta terça-feira, o presidente em exercício, vice José de Alencar, anunciou o envio de tropas federais para reforçar a segurança na região de Anapu, no Pará, onde foi morta a missionária americana Dorothy Stang. (Leia Mais)
Quarta, 16 de Fevereiro de 2005 às 08:06, por: CdB