Homens do exército egípcio protegem-se atrás de barreiras de arame farpado, após o massacre no Cairo
O governo interino do Egito elogiou os EUA por mostrarem "compreensão" na quinta-feira ao descrever o governo do presidente deposto Mohamed Mursi como não democrático. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Badr Abdelatty disse que os comentários dos Estados Unidos "refletem compreensão ... sobre os desenvolvimentos políticos que o Egito está testemunhando nos últimos dias, como a realização da vontade de milhões de egípcios que tomaram as ruas a partir de 30 de junho para reivindicar seus direitos legítimos e pedir eleições antecipadas".
Em uma aparente reviravolta da política dos Estados Unidos, a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, disse que o governo de Mursi "não era um mandato democrático... O que quero dizer é o que captamos a partir dos 22 milhões de pessoas que estão lá fora dando voz a seus pontos de vista e deixando claro que democracia não é só simplesmente vencer a votação nas urnas".
Massacre
Durante os últimos confrontos entre soldados e manifestantes egípicios, uma cena tomou as redes sociais ao redor do mundo. Ao que indicam imagens e relatos, um fotógrafo que filmava as manifestações em frente à sede do Exército egípcio na última segunda-feira registrou a própria morte. Ahmed Samir Assem, 26 anos, gravava imagens de atiradores quando um deles se vira para ele e dispara. Amigos e colegas ouvidos pelo jornal Daily Telegraph não têm dúvidas de que Assem foi baleado por um dos atiradores que ele filmava.
– Por volta das 6h, um homem veio ao centro de imprensa com uma câmera coberta de sangue e nos disse que um dos nossos tinha sido ferido. Cerca de uma hora depois, recebi a informação de que Ahmed havia sido baleado por um atirador na testa enquanto filmava ou tirava fotos de atiradores em cima de edifícios em tono das manifestações. A câmera de Ahmed foi a única que gravou todo o incidente, desde o primeiro momento – afirmou ao Telegraph Ahmed Abu Zeid, que trabalha para o mesmo jornal de Assem, o Al-Horia Wa Al-Adala - publicação oficial do Partido da Liberdade e da Justiça.
Revolta
Na última segunda-feira, mais de 50 pessoas morreram em um ataque que a Irmandade Muçulmanaatribui ao Exército e, este último, a terroristas armados. Na sequência, o Partido da Justiça e da Liberdade, braço político da Irmandade Muçulmana, convocou em um comunicado uma "revolta do grande povo do Egito contra os que tentam roubar sua revolução com tanques".
A tensão toma conta do país desde a depoisção do presidente Mohamed Mursi pelo Exército, no dia 3 de julho. Nesta quarta, um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores anunciou que Mursi encontra-se "em um local seguro" e até o momento não há acusações contra ele.
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