Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Governo egípcio ainda vai decidir sobre acampamentos pró-Mursi

O governo provisório do Egito ainda está debatendo uma forma de encerrar os protestos dos partidários do presidente deposto Mohamed Mursi, disse o jornal estatal al-Ahram nesta terça-feira, sinalizando que uma ação policial não é iminente.

Terça, 13 de Agosto de 2013 às 08:52, por: CdB
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Membros da Irmandade Muçulmana e apoiadores do presidente deposto do Egito Mohamed Mursi cantam palavras de ordem na praça Rabaa Adawiya, leste do Cairo
O governo provisório do Egito ainda está debatendo uma forma de encerrar os protestos dos partidários do presidente deposto Mohamed Mursi, disse o jornal estatal al-Ahram nesta terça-feira, sinalizando que uma ação policial não é iminente. Após uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, na noite de segunda-feira, fontes presidenciais disseram ao jornal que as forças de segurança deverão isolar os acampamentos dos manifestantes no Cairo, em vez de realizar uma ação mais agressiva, que possa levar a um derramamento de sangue. Os acampamentos da praça al-Nahda e ao redor da mesquita de Rabaa al-Adawiya se tornaram o epicentro da crise política no Egito desde que os militares derrubaram Mursi, em 3 de julho. Os manifestantes, ligados à Irmandade Muçulmana, prometem permanecer nesses locais até que Mursi seja reempossado na presidência. O governo instalado pelos militares promete realizar eleições dentro de nove meses. Algumas autoridades desejam evitar um confronto violento, o que poderia prejudicar os esforços do governo para se apresentar como legítimo. Por outro lado, radicais no Exército e nas forças de segurança defendem uma intervenção, para impedir que o movimento da Irmandade cresça. - As consultas continuam entre todos os órgãos governamentais. O caminho mais provável é cercar as duas concentrações, sufocá-las em vez de (iniciar) uma intervenção de segurança que possa causar vítimas - disse o al-Ahram. Os esforços internacionais para resolver a crise fracassaram na semana passada. Mediadores estrangeiros dizem que a Irmandade deveria aceitar que Mursi não será devolvido ao poder, mas que as novas autoridades devem trazer a Irmandade de volta para o processo político. Mursi foi o primeiro presidente democraticamente eleito na história do Egito, depois da derrubada do regime autocrático de Hosni Mubarak. Mas ele não conseguiu resolver os problemas econômicos do país e assustou muitos egípcios com aparentes esforços de dar um caráter mais islâmico ao país, o mais populoso do mundo árabe. Em 3 de julho, após imensas manifestações pela renúncia de Mursi, os militares o derrubaram. Tarek el Malt, membro do partido Wasat, aliado da Irmandade, disse que escreveu ao ministro do Interior alertando que o uso da força contra os acampamentos agravaria a situação. Sobre as razões para a polícia ainda não ter dissolvido os protestos, ele disse: "A única interpretação é que, graças a Deus, há pessoas que ainda não estão pensando de forma excludente e querem dar uma oportunidade para soluções pacíficas". Conflitos entre facções contra e a favor de Mursi Confrontos começaram no centro do Cairo nesta terça-feira, quando apoiadores do presidente deposto do Egito Mohamed Mursi foram atacados enquanto marchavam em direção ao Ministério do Interior, disse um repórter da Reuters. Defensores do novo governo instalado por militares arremessaram pedras contra os manifestantes e atiraram garrafas contra eles a partir das varandas. A polícia então disparou gás lacrimogêneo contra os manifestantes pró-Mursi. Alguns milhares de manifestantes favoráveis a Mursi participavam da marcha quando surgiu o confronto. Os moradores locais insultaram eles, chamando-os de terroristas e dizendo que não eram bem-vindos. Os residentes começaram então a atirar pedras contra os manifestantes. Os apoiadores de Mursi reagiram também lançando pedras. Manifestantes mulheres e crianças fugiram do local em pânico. Dois homens armados com machetes foram vistos perseguindo manifestantes. Os manifestantes pedem a reintegração de Mursi, que foi destituído pelos militares em 3 de julho e agora é mantido preso em local não revelado.
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