O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assina nas próximas 48 horas uma medida provisória "em caráter de urgência" para evitar o possível racionamento de água no município do Rio de Janeiro, como descreveu ontem o prefeito de Resende, Eduardo Mehoas. Ele é presidente do Comitê para Integração da Baía do Paraíba do Sul (Ceivap) e, segundo constataram os técnicos desta instituição, "ou o Rio toma medidas urgentes para solucionar a questão do abastecimento de água na Estação de Tratamento de Água do Guandu, ou começa a planejar o desabastecimento, que certamente ocorrerá nos meses de estiagem, entre abril e outubro deste ano", disse Mehoas.
O prefeito convocou uma reunião com os 60 diretores do Ceivap - entre eles os prefeitos do Rio de Janeiro, Cesar Maia, e o vice-governador do Estado do Rio, Luiz Paulo Conde - amanhã no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Eles irão debater a realidade em que se encontra a questão do abastecimento de água na região servida pela bacia do rio Paraíba do Sul, responsável por 80% do abastecimento para uma população superior a 5 milhões de habitantes.
- São Pedro tem, infelizmente, errado na mira. Apesar do tempo chuvoso, tanto em São Paulo quanto no Rio, as áreas que abastecem reservatórios como a Represa do Funil, no Sul do Estado, e a Estação de Tratamento do Grandu, na Baixada Fluminense, têm passado por uma estiagem prolongada ao longo da última década - lamenta o prefeito. Ele acrescentou que o declínio nos níveis destes reservatórios é constante ao longo dos anos e já chegaram em um estágio crítico, "muito próximo da zona de alarme".
Poluição
A principal medida a se viabilizar, tão logo seja assinada a Medida Provisória que a Presidência da República vai liberar ainda esta semana, segundo Mehoas, é o desvio dos afluentes que desembocam na área de captação da água que abastece os reservatórios. O nível de poluição de rios como o Ipiranga, o Queimados e dos Poços é tamanho que "as algas nascem em profusão e entopem os pontos de captação da água para tratamento".
- Precisamos realizar obras de desvio destes afluentes para um ponto posterior ao local onde a água é captada. São relativamente simples, mas imprescindíveis para evitar o racionamento no Rio de Janeiro - explicou Mehoas.
O presidente da Agência Nacional de Águas, Jerson Kelman, em Brasília, compartilha das preocupações do presidente da Ceivap. Ele alertou, também, que a situação de São Paulo "é muito pior do que a do Rio".
- Enquanto o Rio corre o risco do desabastecimento em alguns meses, em São Paulo este risco é iminente, muito próxima do desespero. A falta de chuvas nas áreas altas do Estado deixou os reservatórios na bacia do rio Piracicaba em situação crítica - informou Kelman, por telefone.
Nesta mesma época, ano passado, o volume de água nos reservatórios do Estado do Rio estava em 37% da capacidade total, "o que já é um nível muito baixo", alerta Kelman. Atualmente, chegou a 30%, o que projeta um total de 10% na época da estiagem.
- Se chegar a este nível, em setembro ou outubro, com certeza haverá uma situação de pânico instalada junto à população - alertou o presidente da agência.