O governo sofreu uma dura derrota no Senado nesta quinta-feira ao ver aprovado o valor de R$ 275 para o salário mínimo por um placar bem mais dilatado do que o esperado. A medida segue agora para a Câmara, onde os deputados haviam aprovado os 260 reais definidos na medida provisória.
Foram 44 votos pelos 275 reais e apenas 31 em favor dos 260 reais definidos na medida provisória. Houve uma abstenção.
Estimativas feitas até o início do dia previam que o governo teria entre 35 e 38 votos dos 81 senadores, enquanto o Palácio do Planalto tentava reverter posições contrárias de aliados, sem sucesso.
Doze senadores da base votaram contra o governo. Foram cinco do PMDB, três do PT --Flávio Arns (PR), Paulo Paim (RS) e Serys Slhessarenko (MT)--, dois do PL, partido do vice-presidente José Alencar, e dois do PSB.
"Foi uma votação atípica, porque o ingrediente foi político, teve um recado para o governo", disse o líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (PTB-RN), depois da votação. Mais cedo, quando a derrota já estava definida, Bezerra disse que o governo "vai ter que rever toda a sua relação com o Senado".
O senador Tião Viana (PT-AC) tentou minimizar o resultado. "O governo perdeu porque é uma matéria difícil."
Para ele, "adiar a votação era mais desgastante do que perder no voto. Às 16h45, antes da votação, fizemos as contas e concluímos que seria derrota". Ele acredita que a Câmara manterá sua posição de votar a favor dos 260 reais.
O governo sofre a derrota apesar do grande esforço dos últimos dias, que envolveu inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tentativa de reverter votos contrários, especialmente entre os aliados.