Os estrangeiros presos nos EUA como parte da investigação empreendida depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 foram tratados com "excessivo rigor", segundo um relatório do Departamento de Justiça divulgado nesta segunda-feira. O documento aponta como principais problemas os longos períodos de detenção dos detidos sem terem sido acusados formalmente e as condições de prisão que sofreram os 762 estrangeiros capturados depois de 11 de setembro por violar leis de imigração. Para o Departamento de Justiça, ocorreram "problemas significativos" na forma como foram tratados os presos, muitos dos quais estiveram incomunicáveis permanentemente, imobilizados e foram trancados em celas nas quais a luz não era desligada. O inspetor geral do Departamento, Glenn Fine, afirma no documento que "encontramos problemas significativos no tratamento dado aos detidos", embora reconheça "o enorme desafio e dificuldade enfrentados para responder aos atentados". Os atentados de 11 de setembro de 2001, atribuídos ao grupo terrorista Al-Qaeda, mataram mais de 3 mil pessoas em Nova York, Washington e em uma área rural da Pensilvânia. Nas 198 páginas do relatório, dirigido por Fine, são descritas as irregularidades e os maus-tratos sofridos pelos presos, e a denúncia de que o escritório federal de pesquisas (FBI) não fez distinção entre os que eram suspeitos de terrorismo e os que não tinham os documentos. - O FBI deveria ter tido mais cuidado na distinção entre os estrangeiros que suspeitavam ter ligação terrorista dos que, até sendo possivelmente culpados de violar as leis federais de imigração, não estavam ligados ao terrorismo - afirma. O documento critica também a errônea política do Departamento de Justiça de não informar aos detidos em um tempo razoável, à espera da autorização do FBI, das acusações que lhes imputavam, processos que demoraram em média 80 dias. Sobre as condições de prisão dos estrangeiros, é denunciado sobretudo a situação no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn (Nova York), no qual 84 presos sofreram um severo tratamento até ser comprovado que não tinham vinculação terrorista. Estes presos permaneciam 23 horas do dia em suas celas, onde a luz era mantida acesa permanentemente, e tinham que se movimentar com algemas e correntes nos pés, e foram objeto de repetidos abusos verbais e físicos, reconhece o relatório do Departamento de Justiça. A denúncia, que não avalia se ocorreu alguma ilegalidade, dá razão às organizações de defesa dos direitos humanos que depois dos atentados acusaram as autoridades americanas de violarem as liberdades fundamentais de vários presos. Um destes presos, o egípcio Hadi Hasan Omar, apresentou há alguns meses uma denúncia contra o então chamado Serviço de Imigração e Naturalização (INS), que passou a fazer parte do Departamento de Segurança Nacional, pelo tratamento que recebeu durante sua detenção. Em uma entrevista, Omar garantiu que durante sua reclusão em uma prisão de Louisiana foi sistematicamente humilhado, com contínuas revistas durante as quais era obrigado a ficar nú, e foi forçado a comer carne de porco contrariando suas crenças religiosas.
Governo dos EUA reconhece excessivo rigor com presos após 11 de setembro
Segunda, 02 de Junho de 2003 às 14:22, por: CdB