Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Governo do Sudão agrava crise em Darfur ao não retirar tropas

Domingo, 19 de Dezembro de 2004 às 09:15, por: CdB

O governo sudanês agravou a crise em Darfur com sua decisão de não retirar as tropas do campo de batalha e agora enfrenta a possibilidade de ser denunciado pela União Africana (UA) ao Conselho de Segurança da ONU.

Enquanto a negociação de paz entre o regime sudanês e os grupos rebeldes era rompida em Abuja, a capital nigeriana, a situação em Darfur era ainda mais crítica e sangrenta, segundo informaram à EFE fontes humanitárias.

Voluntários do Crescente Vermelho, associado ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), indicaram que os últimos combates provocaram novos deslocamentos de civis, que procuram refúgio nos acampamentos levantados nas três províncias da região.

A situação humanitária já tinha se complicado previamente com a saída de algumas organizações estrangeiras, que deixaram a zona depois do assassinato de dois voluntários sudaneses que trabalhavam para a Save the Children.

"Um dos maiores problemas, além da insegurança, é que a maioria dos acessos estão cortados e a ajuda humanitária não chega", disse o voluntário.

O governo sudanês comprometeu-se a tentar garantir a segurança das estradas e dos aeroportos e possibilitar a chegada da ajuda humanitária aos cerca de milhão e meio de refugiados e deslocados que estão nessa região vizinha ao Chade.

O governo negou-se, no entanto, a retirar seus soldados, como era exigido pela UA, enquanto os rebeldes muçulmanos subsaarianos não fizerem o mesmo.

"Não nos comprometemos com ninguém a retirar nossas tropas de Darfur. Não vamos fazer isso. É impossível acontecer isso", insistiu ontem à noite o ministro de Assuntos Exteriores do Sudão, Mustafa Osman Ismail.

O chefe da diplomacia sudanesa disse que os rebeldes devem aplicar as cláusulas dos acordos que exigem a retirada das milícias e não atacar comboios humanitários.

"Os rebeldes estão enganados se acham que o governo está em uma posição desfavorecida e está encuralado pela pressão internacional", advertiu Ismail.

O conflito de Darfur começou em fevereiro de 2003, quando grupos de oposição subsaarianos se armaram em protesto contra o abandono e a pobreza na qual vive essa região sudanesa.

Desde então, morreram mais de 70.000 pessoas em uma crise considerada a pior deste século.

Depois da recusa no sábado de retirar suas tropas, a UA apelou à mediação do presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, para tentar retomar as negociações.

O porta-voz do grupo rebelde Movimento pela Justiça e Igualdade, Ahmed Togodt, reiterou sua decisão de não participar de mais negociações até que o exército sudanês se retire da região.

"Não poderemos negociar enquanto o governo do Sudão lançar ataques e se negar a retirar suas tropas, como exigiram os mediadores. O governo não é sincero, e não vamos ser enganados nunca mais", afirmou Togodt.

A mesma postura foi adotada por Hussain Magzoub, porta-voz da outra organização rebelde de Darfur, o Movimento de Libertação do Sudão (MLS).

A ruptura do diálogo aconteceu depois que os rebeldes disseram que era falsa a alegação do governo sudanês de que tinha interrompido todas as operações militares na zona e começado a retirada.

O porta-voz governo acusou os rebeldes de não cumprirem com suas obrigações, pelo que o exército sudanês retomou os combates.

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