Representantes do governo do Senegal e de um movimento separatista da região de Casamance assinaram um acordo de paz histórico nesta quinta-feira, pondo fim a 22 anos de guerra e abrindo caminho para a reconstrução da região.
- Após 22 anos de conflito, encerra-se hoje um episódio doloroso da história do Senegal - declarou o presidente Abdoulaye Wade - Agora chegou a hora de reconstruir a nação unida, da qual Casamance faz parte integrante - acrescentou.
O documento foi assinado pelo ministro do Interior, Ousmane Ngom, e pelo abade Augustin Diamacoun Senghor, líder histórico do Movimento das Forças Democráticas de Casamance (MFDC). O texto inclui também, mais abaixo, a assinatura do presidente Wade.
A assinatura do acordo foi realizada em frente à sede do governo local, diante de milhares de habitantes de Zinguinchor. A população local tomou as ruas da cidade durante o dia inteiro para comemorar o fato histórico.
Após assinar os documentos, Ngom e Diamacoun apertaram as mãos demoradamente, sob aplausos de milhares de pessoas, muitas vestidas com camisetas com dizeres que destacavam a importância histórica do momento.
Desde 26 de dezembro de 1982, o MFDC pegou em as armas para lutar pela independência de Casamance, a região de maior potencial econômico do Senegal.
Em seu discurso, Wade disse que outros acordos parecidos aprovados em 1991 e em 2001 estavam "enterrados definitivamente".
- Este acordo é o primeiro meu, e não tem nada a ver com o anterior - acrescentou o presidente.
Wade prestou homenagem aos soldados do exército senegalês que cumpriram sua missão "sem crueldade" e também às vítimas dos dois lados.
O presidente senegalês citou palavras que o próprio abade Diamacoun tinha pronunciado no início de dezembro: "É preciso ter coragem para começar uma guerra, mas é necessário mais coragem para fazer a paz".
O MFDC se compromete solenemente a abandonar a luta armada e o governo senegalês, a garantir as liberdades políticas fundamentais.
No entanto, um dirigente do MFDC exilado, Mamadou Nkruman Sane, disse que o acordo de paz era "nulo e sem valor" e afirmou que Diamacoun é "prisioneiro nas mãos do governo do Senegal".
Wade alertou que vai combater com armas os setores dissidentes do MFDC que se opõem ao processo de paz.