Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Governo do Iraque será islâmico, diz Iyad Allawi

O primeiro-ministro interino do Iraque, Iyad Allawi, acredita que o próximo governo do país será islâmico, mas afirmou nesta terça-feira à noite que espera o surgimento de vozes mais liberais para consolidar o futuro da nação. (Leia Mais)

Terça, 15 de Fevereiro de 2005 às 17:16, por: CdB

O primeiro-ministro interino do Iraque, Iyad Allawi, acredita que o próximo governo do país será islâmico, mas afirmou nesta terça-feira à noite que espera o surgimento de vozes mais liberais para consolidar o futuro da nação.

Em sua primeira entrevista desde as eleições de 30 de janeiro, o político disse à Reuters que torce para que os vencedores incluam todos os setores da sociedade iraquiana na formação da nova administração.

Resultados divulgados no domingo mostram que a Aliança Iraquiana Unida, uma coalizão de grupos principalmente xiitas, formada com o apoio subliminar do aiatolá Ali al-Sistani, o mais influente clérigo iraquiano, obteve 48 por cento dos votos.

"A Aliança Iraquiana Unida é islamita. Alguns são liberais, é claro, mas eles tendem a ser mais islamitas", disse Allawi.

"O povo iraquiano, 50 por cento do povo iraquiano, decidiu que quer ver um governo islâmico no Iraque, e temos de respeitar isso", afirmou.

"Estou satisfeito com os resultados porque é claramente uma decisão do povo iraquiano. Sua decisão é apoiar as facções islâmicas ... isso é democracia."

"Nossas convicções são claras", afirmou, referindo-se a sua coalizão. "O governo do Iraque deve ser liberal, e não ficar sob religião política."

A coalizão de Allawi ficou em terceiro lugar, com cerca de 14 por cento dos votos, o suficiente para lhe garantir cerca de 40 das 275 cadeiras da Assembléia Nacional. Em segundo ficou a coalizão dos dois principais partidos curdos, com pouco menos de 25 por cento dos votos.

Allawi, que é premiê interino desde junho de 2004, e que desenvolveu boas relações com o presidente dos EUA, George W. Bush, disse que não se incomoda em perder o posto.

Ele era cotado como um possível candidato para o cargo se a Aliança Iraquiana Unida não chegasse a um acordo sobre um nome. Na terça-feira, a coalizão parecia ter decidido que Ibrahim al-Jaafari, o líder islâmico do Partido Dawa, religioso, seria o escolhido.

"Pessoalmente, não gosto da idéia de continuar (a ser premiê)", disse Allawi, sorrindo. "Ainda estamos discutindo se devemos participar da disputa pelo cargo ou não."

Se Jaafari se tornar premiê, ele deve dar um tom mais islâmico à administração, depois de seis meses de governo agnóstico de Allawi.

Mas ainda é preciso levar em conta a influência dos curdos, que têm uma tendência mais secular.

O atual premiê disse que mais importante que a corrida pelo posto é a necessidade de trazer todos os lados para a discussão -- incluindo árabes sunitas, xiitas e outros.

"Devem acontecer duas coisas para garantir a continuidade do processo político. Primeiro, deve haver a visão clara e a insistência em que todas as facções iraquianas participem do processo político, com atos, não somente palavras", afirmou.

"Em segundo lugar, precisa haver diálogo, de verdade, para elaborar a Constituição. Se conseguirmos esse equilíbrio, será o resultado das eleições."

"Minha convicção política é que não acreditamos que seja adequado ter um governo político-religioso no Iraque", disse. "Forças liberais e democráticas que concordem conosco nesse ponto precisam unir seus esforços e idéias."

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