Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Governo do Equador nomeia novo ministro da Economia

Quinta, 21 de Abril de 2005 às 16:13, por: CdB

O novo governo do Equador decidiu nomeou, nesta quinta-feira, Rafael Correa como novo ministro da Economia, trazendo preocupação ao mercado financeiro. Ele vai substituir Mauricio Yepez, que era muito elogiado em Wall Street por pelas medidas que tinham por objetivo conduzir o país de volta aos mercados internacionais.

Correa, que dirige o Departamento de Economia da Universidade San Francisco, em Quito, recebeu o cargo das mãos do novo presidente, Alfredo Palacio, que assumiu o governo depois do impeachment de Lucio Gutiérrez.

Correa estudou em universidades dos Estados Unidos e da Europa, mas analistas dizem que os mercados estão nervosos em relação às políticas que podem ser adotadas pelo novo ministro, que já fez críticas ao FMI e ao pagamento da dívida externa.

O risco-país medido pelo J.P. Morgan subiu de 786 para 820 pontos na quinta-feira, enquanto os mercados norte-americanos especulam até que ponto o novo ministro seguirá as políticas neoliberais de seu antecessor.

- Há muita especulação de que Correa vai reduzir significativamente as políticas econômicas ortodoxas do governo Gutiérrez" - disse Christian Strack, analista de mercados emergentes da empresa de pesquisas CreditSights, de Wall Street.

Em março, a elevação dos juros nos EUA levou o governo do Equador a suspender uma operação de swap da dívida e um plano para emitir 750 milhões de dólares em bônus.
Depois de declarar moratória em 1999, o Equador emitiu 1,25 bilhões de dólares em bônus, como parte do seu acordo de reestruturação.

Alguns analistas não escondem sua apreensão com Correa.

- Ele é um acadêmico com um pano de fundo de retórica populista - disse José Cerritelli, da Bear Stearns, de Nova York.

- Mas todos os políticos latino-americanos falam assim antes de chegar ao poder. Então vamos esperar para ver quais são suas políticas agora. Espero que ele dê uma guinada de 180 graus e seja muito pragmático e prudente.

Cerritelli recomendou na quinta-feira que os investidores comprem títulos da dívida equatoriana para aproveitar a queda das cotações provocada pelas turbulências políticas.

Sob o comando de Yepez, o Equador, que exporta petróleo, consolidou seu superávit fiscal e teve crescimento de quase 7 por cento em 2004.

Funcionários de empresas de petróleo que atuam no país disseram na quinta-feira que a crise política não prejudicou sua atuação. O Equador produziu 530 mil barris de petróleo por dia em 2004, dos quais quase a metade foi vendida para os Estados Unidos.

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