O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, notificou nesta quinta (16) que não haverá revisão da Lei de Anistia. Adams argumentou que a questão já fora definida em abril de 2010, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) tomou oficialmente a decisão. Ativistas pelos direitos humanos avaliam o fato como um recuo da presidente em um assunto particularmente dramático para todo o país.
Quando era ministra da Casa Civil, Dilma defendeu a revisão ao dizer que os crimes cometidos por agentes de repressão durante a ditadura eram "imprescritíveis" e, portanto, poderiam ser julgados a qualquer tempo.
Durante a campanha eleitoral, no entanto, não quis criar polêmica e passou a se declarar contra a revisão, alegando que não queria "revanchismos". Mesmo assim, ministros da atual gestão declararam que iam brigar pela causa e a população esperava que Dilma desse atenção especial ao assunto.
Desdobramentos
Após o anúncio, Adams recomendou ao tribunal que rejeite um recurso do Conselho Federal da OAB. A entidade cobra novo posicionamento do STF quanto à submissão ou não do Brasil à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
A corte considera que crimes cometidos por autoridades estatais são crimes contra a humanidade e, portanto, não poderiam ser anistiados por leis nacionais.
Ainda em relação à Lei de Anistia, a assessoria da presidência se pronunciou afirmando que a prioridade do governo é a criação da Comissão da Verdade.
O projeto – em tramitação no Congresso -- estabelece uma comissão para investigar e fazer a narrativa oficial das violações aos direitos humanos durante a ditadura. Conta com o apoio da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.
A Lei de Anistia
Promulgada em 1979, com a proposta de ser ampla, geral e irrestrita, a Lei de Anistia permitiu que o Brasil libertasse presos e repatriasse líderes políticos -- como Arraes, Brizola e Amazonas -- e militantes ilustres -- como Paulo Freire e Betinho, imortalizado na voz de Elis Regina como o “irmão do Henfil”, em música de João Bosco e Aldir Blanc.
A comoção popular foi ampla, geral e irrestrita, mas o tempo mostrou que a Lei precisava ser revista, porque contemplava também os torturadores.
A primeira mulher eleita presidente sentiu na pele a crueldade dos torturadores quando, aos 22 anos, foi parar na prisão. Sobreviveu à violência sem delatar companheiros e, assim, revelou a força de combate a injustiças que foi um dos seus trunfos na conquista de eleitores nos palanques da história.
Mesmo com toda essa vivência e garra, é inegável que Dilma assumiu junto com o governo vários desafios, entre eles a revisão da anistia, assunto em pauta no Palácio do Planalto desde 1985, quando a ditadura acabou.
Este pode não ser o fim desta longa história e seguramente não é o fim da luta de Dilma pelos direitos humanos e por um governo que defenda a justiça e a cidadania, compromisso assumido por toda a esquerda, inclusive por Lula, ainda no final dos anos 70 em São Bernardo, quando saiu da obscuridade entre a massa de grevistas e deu seus primeiros passos na direção do Planalto.
Da redação com agências
Governo Dilma anuncia que não haverá revisão da Lei de Anistia
Quinta, 16 de Junho de 2011 às 13:40, por: CdB