Rio de Janeiro, 20 de Fevereiro de 2026

Governo de Mianmar confirma nove mortes em confrontos

Quinta, 27 de Setembro de 2007 às 13:40, por: CdB

O governo de Mianmar anunciou nesta quinta-feira que nove pessoas morreram em choques envolvendo manifestantes e forças de segurança na principal cidade do país, Yangun, palco há dez dias de protestos contra o regime militar birmanês.

Dos mortos, oito são manifestantes e um tem passaporte japonês. Ele foi identificado por uma agência de notícias do Japão como sendo um jornalista.

Outras 11 pessoas que participavam das manifestações e 31 soldados ficaram feridos, segundo a imprensa estatal.

Testemunhas disseram que dezenas de manifestantes foram espancados e centenas foram presos depois que soldados marcharam pelas ruas alertando aos moradores que não deixassem suas casas.

A emissora de televisão estatal birmanesa acusa os participantes das manifestações, lideradas por monges budistas, de estimularem a violência.

Os protestos desta quinta-feira parecem ter sido menos organizados do que nos dias anteriores. Segundo testemunhas, por volta do meio-dia (hora local), milhares de pessoas foram às ruas em um claro desafio às forças militares, cantando músicas nacionalistas e xingando os soldados.

De acordo com o correspondente da BBC em Bangcoc, Chris Hogg, que monitora os acontecimentos em Mianmar, os protestos desta quinta-feira reuniram menos monges e mais pessoas comuns.

Isso pode significar que os militares podem estar menos receosos de reprimir com violência as manifestações, já que os monges são muito respeitados no país, segundo Hogg.

Durante a madrugada, forças de segurança invadiram pelo menos seis mosteiros e prenderam cerca de 200 monges.

Testemunhas disseram que os soldados invadiram os mosteiros no meio da noite, quebrando janelas e espancando os monges que dormiam. Dois importantes membros do principal partido da oposição, a Liga Nacional para a Democracia, também foram presos.

As forças de segurança também ergueram barricadas com arame farpado em volta do pagode Shwedagon e da prefeitura de Yangun, onde os manifestantes vêm se concentrando nos últimos dias.

ONU

O Conselho de Segurança da ONU pediu calma à junta militar que governa Mianmar, mas ainda não há indicações de que o governo esteja pronto para ouvir os pedidos, segundo outro correspondente da BBC, Jonathan Head, baseado no sul da Ásia.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência em Nova York para discutir a situação no país.

Os Estados Unidos e a União Européia queriam que o Conselho considerasse a imposição de sanções, mas a tentativa foi rejeitada pela China.

Os membros do Conselho, então, "expressaram sua preocupação e pediram calma, especialmente ao governo de Mianmar", disse o embaixador francês Jean-Maurice Ripert. O Conselho também planeja mandar o enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, para a região e pediu às autoridades de Mianmar que o recebam "o mais rápido possível".

A China e a Rússia argumentam que se trata de uma questão interna. Os dois países vetaram uma resolução da ONU crítica ao governo militar de Mianmar em janeiro passado.

Os confrontos têm despertado temores de uma repetição da violência de 1988, quando tropas abriram fogo contra manifestantes durante protestos pró-democracia, causando a morte de cerca de 3 mil pessoas.

Os recentes protestos começaram depois que o governo decidiu dobrar o preço do combustível no mês passado, afetando duramente a população do país.

Tags:
Edições digital e impressa