Um membro do Governo da Grã-Bretanha, a ministra do Interior Beverly Hughes, exortou a população a "ficar alerta, mas não alarmada", um dia depois de a Polícia ter anunciado a detenção de seis suspeitos e de ter apreendido com o grupo, em um apartamento de Londres, uma quantidade não revelada de ricina, uma toxina extremamente perigosa e letal. "É compreensível que as pessoas fiquem preocupadas", disse a assessora do secretário do Interior David Blunkett. "Mas, nós precisamos manter isso em perspectiva; as pessoas têm que ficar alertas, mas não alarmadas nem em pânico". A Grã-Bretanha está em alerta antiterrorismo desde a detenção dos suspeitos, na manhã de domingo passado. Poucos detalhes foram divulgados até agora sobre a operação que resultou nas detenções ou a identidade dos suspeitos, informando-se apenas que eles seriam do norte da África. Planos da rede Al Qaeda, de Osama bin Laden, para produzir ricina foram encontrados em Cabul, a capital do Afeganistão, em novembro de 2001. É sabido também que o Iraque incluiu a ricina em seu programa de armas biológicas. Porta-vozes da Polícia informaram que vestígios da toxina foram encontrados em um apartamento pequeno do bairro de Wood Green, no norte de Londres, onde foram apreendidos também os ingredientes e o equipamento para sua produção. Os médicos do serviço público de Saúde foram orientados a ficar atentos para sintomas de exposição à ricina, um dos venenos mais fortes de que existe conhecimento e para o qual não há antídoto - os sintomas incluem febre alta, dor no estômago, diarréia e vômito. A imprensa britânica deu todo o destaque ao assunto nas edições desta quarta-feira. "Está aqui", estampou o tablóide Daily Mirror, que publicou em sua primeira página uma caveira e dois ossos cruzados (o sinal da morte) sobre um mapa da Grã-Bretanha. Já o Sun, o tablóide de maior circulação no país, disse que a descoberta revelou uma "Fábrica da morte". Perigo "presente e real" Na terça-feira, o primeiro-ministro Tony Blair enfatizou a ameaça representada por armas de destruição em massa. "Como essas detenções... mostram, esse perigo é presente e real, e está conosco, e seu potencial é enorme", disse. Em Washington, autoridades norte-americanas disseram que nenhum vínculo havia sido estabelecido até o momento entre Al Qaeda e as detenções em Londres, mas acrescentaram que essa possibilidade está sendo investigada. A ricina, uma toxina encontrada na semente da mamona, pode ser inalada, ingerida ou injetada. A contaminação por ricina não é contagiosa. A presença da toxina no organismo pode causar febre, dores estomacais, diarréia, graves problemas respiratórios e, em último nível, a morte. As crianças são mais vulneráveis do que os adultos à substância, que também pode atacar o sistema nervoso. A ricina foi detectada nas sementes da mamona no final do século 19. Há cerca de 10 anos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos começou a realizar pesquisas visando a remover a toxina da planta. A mamona tem amplo uso civil - lubrificação de motores de alta rotação, purgativo e fabricação de tinta, verniz e plásticos, usando-se o óleo de rícino. Entretanto, a ricina não está presente em qualquer derivado na indústria alimentícia, uma vez que permanece apenas nos restos da extração do óleo. Anualmente, um milhão de toneladas de mamona são processadas em todo o mundo.
Governo de Londres pede calma à população
Um membro do Governo da Grã-Bretanha, a ministra do Interior Beverly Hughes, exortou a população a "ficar alerta, mas não alarmada", um dia depois de a Polícia ter anunciado a detenção de seis suspeitos e de ter apreendido com o grupo, em um apartamento de Londres, uma quantidade não revelada de ricina, uma toxina extremamente perigosa e letal.
Quarta, 08 de Janeiro de 2003 às 09:59, por: CdB