Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Governo de facto volta a atacar Zelaya, e negociação para

Terça, 20 de Outubro de 2009 às 08:13, por: CdB

O governo de facto de Honduras relaxou na segunda-feira as restrições à mídia e às manifestações, mas endureceu suas críticas ao presidente deposto, Manuel Zelaya, enquanto a negociação para o fim da crise se paralisava.

O impasse ocorre porque os dois lados não se entendem quanto à volta ou não de Zelaya ao poder antes da eleição de novembro.

Na noite de segunda-feira, os zelayistas disseram que não voltarão à mesa de negociação até que o governo de facto apresente uma proposta mais séria para uma solução da crise, iniciada em 28 de junho, depois do primeiro golpe militar em mais de uma década na América Central.

– O diálogo foi obstruído – disse Zelaya à Reuters, por telefone, na embaixada do Brasil, onde está refugiado há quase um mês, depois de voltar clandestinamente do exílio que lhe fora imposto pelos militares.

Na segunda-feira, o presidente de facto, Roberto Micheletti, finalmente cumpriu sua promessa de suspender as restrições às liberdades civis, mas a equipe de Zelaya o acusou de realizar manobras para ganhar tempo, de modo a ficar no poder até a eleição presidencial de 29 de novembro.

– Micheletti não tem demonstrado qualquer vontade política – disse Victor Meza, negociador de Zelaya.

– Ele está usando as negociações como ferramenta de distração para ganhar tempo. Está tentando arrastar o processo com propostas inadmissíveis e insultantes – completou.

Vários governos das Américas defendem a restituição de Zelaya, mas os simpatizantes do golpe alegam que ele foi legalmente deposto e não pode voltar. Policiais e militantes cercam a embaixada brasileira, com ordens de prender Zelaya se ele deixar o local.

Armando Aguilar, principal negociador de Micheletti, disse que seu grupo propôs que a Suprema Corte e o Congresso sejam oficialmente consultados sobre a restituição de Zelaya.

A Suprema Corte, ecoando uma votação quase unânime do Congresso, foi o órgão que determinou a deposição de Zelaya, em junho. Os juízes entenderam que ele violou a Constituição ao propor uma emenda que permitisse sua reeleição.

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