O governo de Dubai não vai garantir a dívida da Dubai World e os credores serão afetados no curto prazo pela reestruturação do conglomerado, disse o diretor-geral do departamento de Finanças do emirado nesta segunda-feira. Abdulrahman al-Saleh acrescentou que a reação do mercado ao anúncio, feito semana passada, sobre os problemas de dívida do Dubai World foi exagerada e não é condizente com a realidade.
– Eu acho que os bancos não estão em uma posição em que necessitem mais liquidez extra do banco central. Os credores precisam tomar parte da responsabilidade pela decisão de emprestar às empresas. Eles acham que o Dubai World é parte do governo, o que não é correto – disse ele à TV Dubai.
Outra instituição que acompanha de perto o default nas dívidas de Dubai é o Fundo Monetário Internacional (FMI), que diz ter recebido com tranquilidade a decisão do banco central dos Emirados Árabes Unidos de oferecer ajuda emergencial aos bancos, acrescentando que continuará monitorando a situação.
"Os Emirados Árabes Unidos são uma economia forte... e saudamos a decisão do BC de disponibilizar aos bancos um instrumento especial de liquidez adicional. Esperamos mais esclarecimentos das autoridades sobre um mecanismo cooperativo para administrar as questões entre os devedores e seus credores", disse o fundo em comunicado no domingo, quando o BC anunciou o instrumento de liquidez, após Dubai anunciar na semana passada problemas com dívidas de duas empresas.
Reação...
A bolsa de valores de Dubai encerrou esta segunda-feira em queda de 7,3%, a maior desde 8 de outubro de 2008, depois do emirado ter anunciado um adiamento no pagamento de bilhões de dólares em dívida. Já o mercado acionário de Abu Dhabi, outro emirado que forma os Emirados Árabes Unidos, despencou 8,3%, a maior perda diária da história do índice.
Os papéis de bancos e do setor imobiliário foram os mais atingidos. Das 32 ações da bolsa de Dubai, 18 encerraram no limite de baixa, o que aconteceu com 28 dos 60 papéis de Abu Dhabi.
– As incertezas continuam e tudo o que precisamos é um comunicado ou algum tipo de orientação – disse Chamel Sahmy, operador do Beltone Financial.
Exagerada
A mídia e líderes empresariais de Dubai, no entanto, apoiaram os esforços do emirado para administrar sua crise de dívida, dizendo que os temores sobre os problemas foram exacerbados. Riad Kamal, presidente-executivo da Arabtec, disse não ter dúvidas sobre o compromisso de Dubai de resolver sua dívida.
– É preciso dar tempo para Dubai reestruturar sua dívida. Não vou perder meu sono por causa disso – disse ele.
A crise começou na quarta-feira, quando Dubai, parte dos Emirados Árabes Unidos, pediu o adiamento do pagamento da dívida do conglomerado Dubai World e de seu braço imobiliário Nakheel, que desenvolveu as ilhas que atraem celebridades e milionários.
– Estou bem calmo. Dubai nunca declarou moratória e não irá declarar. Estou confiante de que o governo honrará os compromissos e ajudará as empresas – disse Khalaf Al Habtoor, presidente do Al Habtoor Group, à agência inglesa de notícias Reuters, antes de conhecer o teor da nota oficial do governo, distribuída no final desta manhã.
Um executivo do Emirates NBD, um dos maiores bancos da região, também procurou minimizar o problema, dizendo que "não há nada com que se preocupar". Presidente da empresa aérea dos Emirados disse ao diário londrino Sunday Telegraph estar chocado com a queda dos mercados globais e disse que "Dubai vai sair disso, como vamos também".
Em editorial, o jornal árabe Khaleej Times afirma que "a necessidade de reestruturar a Dubai World é real e a decisão de ir em frente com isso indica maturidade da parte dos tomadores de decisão do emirado". O diário defendeu o governo de críticos que disseram que o anúncio feito antes de um feriado de quatro dias prejudicou a credibilidade e a transparência do emirado.
"O momento do anúncio de um possível adiamento de seis meses do pagamento da dívida pode ser debatido pelos mercados, mas não a intenção por trás dele", afirmou o jornal.
Algumas autoridades bancárias e investidores acreditam que o anúncio da reestruturação do Dubai World gerou um efeito desproporcional.
– A crise em si foi exagerada. Ela é muito localizada em um setor e em um grupo. Ela foi elevada a uma questão maior – disse Suresh Kumar, presidente-executivo do Emirates NBD capital.