O Parlamento da Espanha aprovou na quinta-feira um relatório acusando o governo do ex-primeiro-ministro José María Aznar de manipular os atentados a bomba ocorridos em Madri em 2004 com o intuito de vencer as eleições gerais realizadas três dias depois da ação violenta.
Após um ano de embates políticos, uma comissão divulgou um relatório, concluído na semana passada, segundo o qual o governo de Aznar, do Partido Popular (PP), havia "distorcido e manipulado" as informações da polícia sobre os atentados em uma tentativa de evitar repercussões políticas devido ao seu apoio à guerra no Iraque.
O relatório de 200 páginas também acusou o governo anterior de ignorar os alertas da polícia a respeito da ameaça do terrorismo na Espanha.
O PP, que perdeu o poder para os socialistas em parte devido à forma como lidou com os atentados, foi o único partido a votar contra o documento no Parlamento.
Apesar de indícios crescentes sobre a participação de um grupo islâmico nos atentados, o então governo espanhol insistiu na tese de que o responsável pelo ataque teria sido o ETA, disse o relatório. As bombas detonadas no dia 11 de março de 2004 mataram 191 pessoas.
O PP não contesta mais o fato de que os responsáveis pelos atentados foram militantes islâmicos, mas ainda defende a tese de que o grupo separatista basco participou em alguma medida da ação.
O partido concordou apenas com os trechos do relatório em que é citada a necessidade de um apoio maior para as famílias das vítimas e de um reforço das medidas de segurança adotadas na Espanha.