Rio de Janeiro, 30 de Janeiro de 2026

Governo cubano vai à ONU contra produção de etanol

Havana propôs que a Organização das Nações Unidas (ONU) comece um estudo para avaliar até que ponto o etanol, tanto de milho como de cana-de-açúcar, afetam a produção de alimentos no mundo. (Leia Mais)

Sexta, 15 de Junho de 2007 às 08:05, por: CdB

O governo de Cuba tomou uma iniciativa que pode frear a ofensiva diplomática do Brasil de promover o etanol (álcool combustível) no mundo. 

Nesta semana, Havana propôs que a Organização das Nações Unidas (ONU) comece um estudo para avaliar até que ponto o etanol, tanto de milho como de cana-de-açúcar, afetam a produção de alimentos no mundo.

Cuba também sugeriu à ONU a criação de um comitê que avalie o trabalho escravo no setor da cana. Os cubanos já têm um aliado: o relator da ONU para o direito à alimentação, o suíço Jean Ziegler. 

"Entendo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que precisa de divisas para pagar suas dívidas. Mas, do ponto de vista alimentar, o uso do etanol pode ser catastrófico", afirmou Ziegler, que disse apenas esperar uma decisão formal dos governos para iniciar o estudo.

Para diplomatas da ONU, o temor dos cubanos (e também dos venezuelanos) é de que o etanol leve o governo americano a ter maior influência sobre os governos da América Central. Pela iniciativa, um relatório teria de ser preparado e apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Outra iniciativa seria criar uma comissão na Organização Internacional do Trabalho (OIT) que estude o impacto da produção do etanol para o trabalho.

A iniciativa cubana produziu grande preocupação entre os diplomatas brasileiros. Uma reunião foi imediatamente solicitada pelo Brasil com a delegação de Cuba. O representante brasileiro foi o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

 "Não podemos deixar isso passar em branco. Expliquei aos cubanos que, no Brasil, já temos o etanol há 35 anos e isso nunca implicou uma redução da área destinada à agricultura ou à falta de alimentos", afirmou Lupi. "Expliquei que nossa produção não tem semelhança com a dos norte-americanos."

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