Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2026

Governo conclui que aeroporto chegou ao limite

Quinta, 19 de Julho de 2007 às 08:00, por: CdB

O acidente com o Airbus da TAM consolidou dentro do governo a convicção de que o Aeroporto de Congonhas chegou a seu limite e oferece mais riscos do que benefícios. Mesmo que as investigações apontem que a pista do terminal não teve influência no pouso do vôo 3054 e induziu à colisão com o terminal de carga da companhia a idéia de construir um novo terminal em São Paulo ou ampliar o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, já está em andamento.

Na avaliação de um ministro que integra o Gabinete de Crise criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Congonhas não pode mais ter o volume de operações que tem, ainda mais estando no centro de São Paulo. Porém, o governo sabe que promover o deslocamento dos passageiros para outro terminal que não seja o de Cumbica em Guarulhos, é difícil. Pior, pode ser encarado como uma penalização adicional aos usuários de transporte aéreo, que teriam que abrir mão da comodidade de usar um aeroporto central. — Não é fácil, sabemos que isso significa pisar no calo de quem vôa — afirma o ministro.

A reunião do Conselho de Aviação Civil, o Conac, já estava agendada para a próxima sexta-feira, pode determinar as primeiras mudanças aconselhando uma redução da malha aérea no País, com foco nas operações de Congonhas. Porém, há muita resistência das empresas em relação a essa mudança.

A redução do número de operações em Congonhas conta com o apoio inclusive da oposição. Ontem o governador de São Paulo José Serra (PSDB) também reivindicou essa mudança. — O aeroporto tem problemas estruturais, não para funcionar, mas para funcionar no volume que tem hoje. Para nós, deve haver uma redução desse volume. Essa é uma decisão que cabe ao governo federal e à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e nós vamos fazer sentir o peso de São Paulo sobre essa posição — disse ontem em entrevista coletiva.

Segundo o mesmo ministro, não há uma preocupação explícita nesse momento com a perda do prestígio internacional que o espaço aéreo brasileiro ainda granjeia, mas o governo reconhece que, com dois acidentes de grandes proporções em menos de dez meses, a imagem ficou arranhada. — É evidente que acidentes como esses arranham nossa imagem, mas o Brasil tem uma grande tradição de segurança de vôo — avalia.

O governo que evitar ao máximo a politização do assunto, e vai tentar não responder aos ataques da oposição como o do relator da CPI do Senado, senador Demóstenes Torres (Democratas-GO), que ontem em entrevista coletiva voltou a pedir a saída do ministro da Defesa Waldir Pires e a chamá-lo de "incompetente". — Esse jogo político é normal. Mas não vamos politizar esse assunto, nem mesmo nessa fase em que há várias versões para o acidente — salienta o ministro.

Para evitar essa politização em torno do acidente, Lula também não vê como prioridade visitar os parentes das vítimas ou ir a São Paulo acompanhar o trabalho dos membros do governo. Ontem, o presidente revelou que está satisfeito com o tratamento que vem sendo dado aos parentes das vítimas e com o ritmo das investigações. Por hora, segundo interlocutores, o presidente avalia que uma viagem à capital paulista ou a Porto Alegre não contribuiria para a solução dos problemas.

Tags:
Edições digital e impressa