Os números de mortes no chamado "polígono da violência", região que abrange Nova Ipixuna e mais 13 municípios contíguos no Sudeste do Pará, são inadmissíveis. Com taxas de assassinato que chegam a 60 por 100 mil/hab (média de 2007 a 2009), a região ocupou as manchetes nacionais com a morte de duas lideranças extrativistas, os militantes José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.
Para piorar, no fim de semana, tivemos mais vítimas no Pará. O agricultor Erenilton Pereira dos Santos, testemunha do crime de Nova Ipixuna, foi encontrado morto no mesmo local em que o casal foi assassinato. O outro assassinato se deu em Porto Velho (RO). Adelino Ramos, que participava do Movimento Camponês Corumbiara e morava no Assentamento Agroflorestal Curuquetê, também foi abatido.
Em comum, todos tinham a luta pela preservação ambiental, a resistência aos madeireiros ilegais e a denúncia contra a atuação predatória na região. José Cláudio, Maria do Espírito Santo e Dinho, inclusive, figuravam na lista da Comissão Pastoral da Terra como marcados para morrer.
Reação do governo
Aplaudimos, portanto, a iniciativa do governo que, em reunião de emergência, deverá criar uma Área sob Limitação Administrativa Provisória (Alap) na tríplice divisa entre Amazonas, Acre e Rondônia. Diante da gravidade da situação na região, a intervenção na área tem como objetivo evitar novas mortes por conflitos semelhantes. A iniciativa será costurada com os Estados, e deve contar com a participação dos Ministérios da Justiça, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário. Já, no Pará, a atenção será redobrada e terá foco nas "pessoas marcadas para morrer", adiantou o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência).
Com 84 mil Km quadrados - ressalta José Roberto de Toledo hoje em sua coluna no Estado de S. Paulo - o polígono na região Norte tem área equivalente à da Áustria. Há dois anos, a região registrou o recorde de assassinatos em Marabá (PA) - 133 homicídios por 100 mil habitantes.
Assim como o governo, repudiamos veementemente as ações criminosas na região, fruto da ganância desmedida de grupos sem qualquer respeito pela vida humana ou pelo meio ambiente.
Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026
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