Um possível acordo de troca humanitária do governo colombiano com as Farc deve implicar a colocação em liberdade de "todos os seqüestrados" por essa guerrilha em troca de "alguns" rebeldes presos, ratificaram nesta quinta-feira, fontes do Executivo.
No entanto, o alto comissionado para a Paz e a Convivência, Luis Carlos Restrepo, disse que "em princípio, nós não temos nenhum nome (de insurgentes) excluído" de um possível "intercâmbio humanitário" com o grupo guerrilheiro.
O assessor do presidente Álvaro Uribe aludiu ao anúncio das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que seu detido líder "Simón Trinidad" entra "certamente" na lista de rebeldes que devem ser trocados.
"Simón Trinidad", cujo nome real é Juvenal Ovidio Ricardo Palmera, foi detido em 2 de janeiro nas ruas de Quito pela polícia equatoriana, que o deportou a seu país.
Em um comunicado divulgado ontem pela internet, o comando das Farc sustentou que Palmera foi capturado quando administrava no Equador uma reunião com o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e o governo francês.
Assinala que o encontro tinha como objetivo buscar uma saída definitiva ao tema dos seqüestrados.
Tanto Nações Unidas como o governo da França desmentiram de forma pública que tivessem prevista uma reunião no Equador com as Farc.
A mesmo mensagem foi transmitida pela ONU e França ao Executivo em Bogotá, disse Restrepo, que precisou que ambas as partes "nos disseram que não têm pactada nenhuma reunião com as Farc e, certamente, se tivessem alguma (...) seria informado ao governo colombiano".
Restrepo lembrou que o único encontro que "delineou as Nações Unidas com as Farc é uma possível reunião no Brasil, da qual se falou em meses passados".
As Farc, a maior guerrilha colombiana pretende trocar "todos" os guerrilheiros presos, que são mais de 500, por cerca de sessenta efetivos da polícia, políticos e estrangeiros (três americanos) que seqüestrou entre dezembro de 1997 e fevereiro de 2002.
Entre os políticos está a ex-candidata presidencial independente Ingrid Betancourt, retida desde fevereiro de 2002, e que tem a nacionalidade francesa.
Governo colombiano limita 'intercâmbio humanitário' com as Farc
Quinta, 15 de Janeiro de 2004 às 19:03, por: CdB